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domingo, 28 de dezembro de 2008

Arqueólogos Encontram a "estrada para o inferno" Maia

A tradição diz que, para o antigo povo maia, a vida após a morte era um caminho tortuoso, repleto de obstáculos assustadores, pelo qual os mortos precisariam atravessar rios de sangue e cavernas cheias de lâminas afiadas, morcegos e jaguares. Agora um arqueólogo mexicano, com base num texto da Inquisição espanhola há muito esquecido, afirma que uma série de cavernas por ele exploradas pode ser o lugar descrito pelos maias como a estrada pelo meio do inferno.

A cadeia de câmaras, estradas e templos subterrâneos numa área de mata fechada da Península de Yucatán sugere que os maias construíram o lugar para reproduzir o caminho para o inferno, ou xibalbá, descrito em antigos textos mitológicos como o "Popol Vuh". "Era o lugar do medo, o lugar do frio, do perigo, do abismo", interpretou Guillermo de Anda (na foto explorando a caverna), arqueólogo da Universidade de Yucatán.

Ao pesquisar os nomes de locais sagrados mencionados pelos índios "hereges" levados a julgamento pela Inquisição, De Anda descobriu o que acredita terem sido os palcos da lendária jornada, recriada em meia dúzia de cavernas situadas ao sul de Mérida, a capital do Estado mexicano de Yucatán. Os arqueólogos já sabiam havia muito tempo que os maias consideravam as cavernas locais sagrados e construíram estruturas em algumas delas. Mas a equipe de arqueólogos liderada por De Anda "adicionou um ingrediente extremamente importante" ao empregar registros históricos para localizar e conectar as redes de cavernas para depois ligá-las à idéia dos maias sobre a estrada para a vida após a morte, opinou o arqueólogo Bruce Dahlin, da Universidade de Shepherd, que já estudou outras localidades maias em Yucatán.

A equipe de reportagem acompanhou De Anda e sua equipe numa visita às cavernas, atravessando minúsculas entradas, escalando por estreitas passagens e pisando em terreno escorregadio para chegar ao local. Ali, do meio da escuridão, surgiu de repente um cenário digno de um filme de Indiana Jones: altares e escadas traiçoeiros, trilhas tortuosas às margens de lagos subterrâneos repletos de objetos de arte maia e caveiras de pessoas que morreram ou cujos corpos foram ali deixados. O grupo explorou também câmaras sagradas fechadas cujo acesso era possível somente arrastando-se por um chão repleto de aranhas, escorpiões e sapos.

Para encontrar o xibalbá, De Anda passou cinco anos revirando documentos de 450 anos atrás deixados pela Inquisição espanhola registrando os julgamentos dos índios "hereges" do México. Os espanhóis sentiram-se ultrajados pelo fato de os maias terem continuado a praticar sua antiga religião mesmo depois da conquista das Américas. Então eles usaram os julgamentos para que os indígenas revelassem os lugares onde as cerimônias eram praticadas. De tempos em tempos, os réus mencionavam os mesmos lugares, mas os nomes registrados mudaram ao longo dos séculos ou foram simplesmente esquecidos. Armados com pistas obtidas a partir dos registros dos julgamentos, os arqueólogos questionaram a população local em busca de cavernas cujos nomes soassem parecidos ou referências que os deixassem próximos.

Os maias usavam as cavernas de entrada afunilada, conhecidas como cenotes, como locais de devoção e como depósito de sacrifícios humanos. Muitos desses cenotes ainda possuem poços de onde os aldeões retiram água. O mais conhecido de todos é o amplo poço circular nas ruínas de Chichen Itzá. Os cenotes encontrados por De Anda eram mais secos, mais escondidos e distantes das aldeias. Eles pareciam possuir algum significado religioso especial porque até mesmo os maias convertidos ao cristianismo ainda percorriam grandes distâncias para rezar nesses locais. Entre as descobertas de De Anda figuram uma ampla via subterrânea perfeitamente pavimentada com cerca de cem metros de extensão, um templo submerso, salas com paredes de pedras e as "confusas encruzilhadas" das lendas. "Existem numerosos elementos que nos fazem acreditar que essa via subterrânea seja uma representação da jornada ao xibalbá", explicou De Anda. "Nós achamos que não se trata de coincidência o fato de a via que sai da encruzilhada dar para o oeste", a direção do caminho para o além-túmulo, segundo a tradição maia.

No centro de um dos lagos subterrâneos, a equipe de De Anda encontrou as ruínas de um altar submerso com inscrições indicando que o local era dedicado aos deuses da morte. Em algumas câmaras, é quase impossível mover-se sem se arranhar em estalactites e formações rochosas que se projetam das paredes e do teto, o que levou De Anda a acreditar que esses locais seriam a representação das temidas "salas das lâminas" descritas no Popol Vuh. Morcegos são descritos nos textos antigos. E em alguns momentos os visitantes precisam se agachar para evitar os grupos de morcegos que voam pelas câmaras subterrâneas.

Existe também a "câmara do calor abrasador", onde os visitantes ficam empapados de suor. Em outros pontos, uma corrente de ar vinda da superfície refrigera as cavernas, lembrando as "câmaras do frio congelante" descritas nas lendas. E apesar de De Anda ainda não ter encontrado nenhuma "câmara do jaguar" específica, ossos de jaguar já foram encontrados no interior de pelo menos uma caverna. "Estradas" subterrâneas interrompidas por profundos reservatórios de água podem significar os rios de sangue e pus.

Mas por que chegar ao extremo de reproduzir o inferno? "Talvez fosse uma demonstração de força", especula De Anda. Ou então para dar aos vivos uma idéia dos terrores que enfrentariam rumo ao paraíso. Clifford Brown, arqueólogo da Universidade Florida Atlantic que trabalhou na região, concorda que os maias viam os cenotes como portais para o inferno. "Todo mundo ouviu falar do cenote do sacrifício em Chichen Itzá, mas já não é amplamente reconhecido que isso era parte de uma veneração generalizada existente em vários lugares", observou Brown. "Há numerosos locais nas planícies onde há cavernas exatamente embaixo dos mais importantes templos, palácios e pirâmides. Acredita-se que o significado deles seja o de uma 'passagem' religiosa, onde a pirâmide representa o paraíso e as cavernas, o inferno”.

Agência Estado

Fotos: residesi.blogspot.com/ knowledgenews.net

Fonte: Netsite

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