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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Lendas urbanas do México

14:58 0
De acidentes de carros causados ​​por fantasmas, à origem da carne dos tacos, estas histórias têm sido amplamente divulgadas pela vox populi.
Desde a época colonial o México tem gerado lendas e mitos para explicar os acontecimentos incomuns ou inexplicáveis. Histórias como a de La Llorona, Calle de La Quemada e O Fantasma da Freira são algumas das mais conhecidas.

Apesar da passagem do tempo, há histórias que estão localizadas nas cidades, que se tornaram mitos urbanos sobre situações cotidianas. Os sites  Marcianos.com e ExplorandoMéxico.com.mx compilou algumas dessas lendas, que ao longo do tempo se tornaram populares no país.

O rato gigante de la Merced


Em um dos maiores e mais antigos mercados do centro da cidade, de um momento para outro, diz a lenda, a comida começou a desaparecer de alguns dos armazéns, alguns animais como cães e gatos que vagueiam no lugar também desapareceram. Inquilinos do mercado dizem ter visto um rato gigante que teria causado estes desaparecimentos. 


A morte de Joaquin Pardavé  

 

O famoso ator mexicano morreu em 20 de Julho de 1955 de um acidente vascular cerebral. Dias depois de sua morte se espalhou rumores de que o ator tinha sido enterrado vivo depois de um ataque cataléptico. Sua família negou a notícia em muitas ocasiões, no entanto, a lenda persiste. 


Tacos de cachorro


Há rumores de que em algumas barracas de taco, em vez de carne de boi ou de porco, o prato é preparado com carne de cães. Diz-se que em algumas partes do país, as autoridades descobriram rastros de clandestinos que forneciam este tipo de carne aos vendedores. 


O carro vermelho


Conta essa lenda que na rodovia federal de Cuernavaca para a Cidade do México, à meia-noite, um carro vermelho com cinco belas mulheres a bordo convidam quem percorre o caminho para a capital a juntar-se a elas. Quem aceita o convite é encontrado morto ou desaparece.


A menina fantasma de Gabriel Mancera


Na esquina que forma o eixo 2 oeste, Gabriel Mancera e o Eixo 5 Sul, Eugenia, existe uma lenda sobre uma menina que morreu atropelada quando numa madrugada saiu de sua casa para obter remédios para sua mãe doente. Dizem que as duas horas da manhã, o espírito da menina aparece na frente dos carros, os motoristas no afã de evitá-lo, perdem o controle dos veículos causando acidentes.

O choro no Estádio Azteca 



É um dos edifícios mais representativos da capital. Diz-se que durante a sua construção na década de 60, muitos trabalhadores perderam a vida e agora os seus gritos são ouvidos em diferentes áreas do edifício. Outra lenda sobre esse lugar é a de um menino que durante um grande evento, morreu em uma das entradas. Os guardas relatam que sentem a presença da criança que chora pedindo ajuda. 


A luz do escoteiro 



Diz-se que em um lugar do estado do México, um grupo de escoteiros, acampou em uma ocasião perto de uma montanha, a tenda de um menino foi colocada  ao lado de uma encosta, à noite ele saiu e caiu numa pedra porque era sonâmbulo. Diz a lenda que à noite grupos que visitam o lugar vêem a luz da lanterna do escoteiro falecido à espera de ser resgatado.


A rua de Don Juan Manuel

É uma lenda muito antiga. Diz-se que na era colonial, Don Juan Manuel Solorzano cego de ciúmes, matava os homens que passavam às onze da noite em frente a sua casa. Uma de suas vítimas foi o seu próprio sobrinho, razão pela qual ele quase perdeu o juízo. Diz-se que ele foi encontrado morto e as almas das pessoas inocentes acompanharam a sua alma para o outro mundo.


Fonte: El Universal Via: Arquivos do Insolito
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Folclore mineiro tem desde tesouros a assombrações gigantescas

14:55 0



Agosto é o mês do folclore, dos mitos e lendas da cultura popular. Histórias diversas que, numa leitura por vezes fantasiosa, dão conta de tempos antigos, da escravidão, da mineração, da pesca, da vida rural e dos dias atuais nas grandes cidades. E se tem uma coisa que mineiro gosta, é de contar caso.

Para Adriano de Paula Rabelo, autor do livro Lendas e Mitos do Povo Brasileiro (de onde alguns dos casos abaixo foram extraídos), essas histórias de nossa tradição popular “não somente revelam nossas preocupações e medos como ensinam posturas, valores e atitudes recomendáveis no processo de viver em sociedade”.

Confira abaixo algumas das mais populares lendas que permeiam a cultura popular mineira e aguarde outras histórias de arrepiar.


A missa dos mortos – Por volta de 1900, o zelador e sacristão da Igreja de Nossa Senhora das Mercês de Cima, em Ouro Preto, foi acordado no meio de uma noite fria e chuvosa por um alvoroço de passos e vozes na capela, situada ao lado de um cemitério. Pensando tratar-se de ladrões, correu para verificar, e encontrou no templo a realização de uma missa repleta de fiéis esqueletos e conduzida por um sacerdote também de outro mundo. 

A procissão das almas – Em diversas cidades do interior de Minas existe a lenda de procissões sobrenaturais durante a quaresma, quando nenhum morador deve sair às ruas ou mesmo chegar à janela. Conta-se de uma curiosa senhora que decidiu ver a passagem das almas e, da primeira do grupo, recebeu uma vela, que não poderia ser apagada. Assim mesmo, apagou a vela, guardou em uma gaveta e foi se deitar. Na manhã seguinte, no lugar da vela, estava um osso humano. Na procissão seguinte, tornou a abrir a janela e devolveu o osso ao grupo de almas, ao qual se juntou naquela mesma semana.
Caboclos dágua – São seres encantados que habitam castelos fantásticos no fundo do rio São Francisco. Castigam pescadores com intenções predatórias que retiram do rio mais do que o necessário para o seu sustento. Em sua fúria, viram e afundam embarcações. Para conquistar sua ajuda com a pescaria, os pescadores colocam um rolo de fumo na ponta do barco como oferenda. 

A mulher de sete metros - Há versões desta assombração gigantesca vagando nos arredores do Fórum de Patos de Minas e também no parque municipal de Montes Claros. Conta-se que seria a alma penada de uma fazendeira bastante rica e possuidora de muitos escravos que teria morrido sozinha como castigo por uma vida de muita maldade.


Tesouros escondidos - Boa parte das lendas mineiras refletem um momento de nossa história. Durante o período colonial, quando houve abundância de ouro e diamantes, era comum que as pessoas escondessem, ou mesmo enterrassem, pedras preciosas para não pagar impostos ou entregá-las a seus empregadores. A fazenda assombrada de Carandaí, e a do Retiro, em Mariana, são apenas duas de dezenas de fazendas tidas como assombradas por guardarem enormes tesouros escondidos. Em ambas, há relatos dos sons, à noite, de correntes de ferro arrastadas e lamentos de escravos torturados.

O tesouro do escravo Isidoro – Conhecido em todo o estado, este caso deu origem à uma caça ao tesouro que atravessa gerações. A lenda conta de um escravo que rompeu com as ordens régias na luta pela libertação de seu povo, escondendo uma enorme quantidade de ouro. Delatado por um de seus seguidores, foi preso, torturado e morto. Segundo conta-se, aos que invocavam sua ajuda na busca pelo tesouro, a alma de Isidoro já teria aparecido e proposto uma série de charadas sobre sua localização. Dentre elas, a dica de que a passagem do cometa Halley, em 1986, indicaria o local exato.


Mãe do Ouro - Um dos mais tradicionais mitos mineiros conta de uma bola de fogo que mostraria onde há jazidas de ouro e que, nela, vem uma mulher muito linda, loura, com um vestido de seda branco que voa pelos ares, refletindo a luz do sol. Diz a lenda que, sempre que ajudava alguém em apuros a encontrar ouro, a mãe do ouro impunha como única condição que ele não contasse a ninguém a localização da mina, sob pena de uma terrível maldição.
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domingo, 19 de setembro de 2010

Eros e Psique: A Lenda

19:36 0
Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era extremamente bela. Sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.

Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, ao ver sua beleza, Eros apaixonou-se profundamente.
O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, pois suas outras filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha. Através desse oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse sua filha ao topo de uma solitária montanha, onde seria desposada por uma terrível serpente. A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e abandonada por seu pesarosos parentes e amigos. Conformada com seu destino, Psique foi tomada por um profundo sono, sendo, então, conduzida pela brisa gentil de Zéfiro a um lindo vale.


Quando acordou, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Notou que lá deveria ser a morada de um deus, tal a perfeição que podia ver em cada um dos seus detalhes. Tomando coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz.

Chegando a escuridão, foi conduzida pelos criados a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou. Logo em seguida, sentiu mãos humanas acariciarem seu corpo. A esse amante misterioso, ela se entregou.. Quando acordou, já havia chegado o dia e seu amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.

Enquanto isso, suas irmãs continuavam a sua procura, mas seu esposo misterioso a alertou para não responder aos seus chamados. Psique sentindo-se solitária em seu castelo-prisão, implorava ao seu amante para deixá-la ver suas irmãs. Finalmente, ele aceitou, mas impôs a condição que, não importando o que suas irmãs dissessem, ela nunca tentaria conhecer sua verdadeira identidade.
Quando suas irmãs entraram no castelo e viram aquela abundância de beleza e maravilhas, foram tomadas de inveja. Notando que o esposo de Psique nunca aparecia, perguntaram maliciosamente sobre sua identidade. Embora advertida por seu esposo, Psique viu a dúvida e a curiosidade tomarem conta de seu ser, aguçadas pelos comentários de suas irmãs.

Seu esposo alertou-a que suas irmãs estavam tentando fazer com que ela olhasse seu rosto, mas se assim ela fizesse, ela nunca mais o veria novamente. Além disso, ele contou-lhe que ela estava grávida e se ela conseguisse manter o segredo ele seria divino, porém se ela falhasse, ele seria mortal.

Ao receber novamente suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. Suas irmãs ficaram ainda mais enciumadas com sua situação, pois além de todas aquelas riquezas, ela era a esposa de um lindo deus. Assim, trataram de convencer a jovem a olhar a identidade do esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso.


Assustada com o que suas irmãs disseram, escondeu uma faca e uma lâmpada próximo a sua cama, decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, matá-lo. Ela havia esquecido dos avisos de seu amante, de não dar ouvidos a suas irmãs.

A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.
Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.

Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo:


- "Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos pareces preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita."

- "Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece."
Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.

Primeiramente, deveria, antes do anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou seu exército a isolar cada uma das qualidades de grão.
Como 2ª tarefa, Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.

Sua 3ª tarefa seria subir ao topo de uma alta montanha e trazer para Afrodite uma jarra cheia com um pouco da água escura que jorrava de seu cume. Dentre os perigos que Psique enfrentou, estava um dragão que guardava a fonte. Ela foi ajudada nessa tarefa por uma grande águia, que voou baixo próximo a fonte e encheu a jarra com a negra água.

Irada com o sucesso da jovem, Afrodite planejou uma última, porém fatal, tarefa. Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco de sua própria beleza, que deveria guardar em uma caixa. Desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo. A torre porém murmurou instruções de como entrar em uma particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a:
- "Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais."

Seguindo essas palavras, conseguiu chegar até Perséfone, que estava sentada imponente em seu trono e recebeu dela a caixa com o precioso tesouro. Tomada porém pela curiosidade em seu retorno, abriu a caixa para espiar. Ao invés de beleza havia apenas um sono terrível que dela se apossou.
Eros, curado de sua ferida, voou ao socorro de Psique e conseguiu colocar o sono novamente na caixa, salvando-a.
Lembrou-lhe novamente que sua curiosidade havia novamente sido sua grande falta, mas que agora podia apresentar-se à Afrodite e cumprir a tarefa.

Enquanto isso, Eros foi ao encontro de Zeus e implorou a ele que apaziguasse a ira de Afrodite e ratificasse o seu casamento com Psique. Atendendo seu pedido, o grande deus do Olimpo ordenou que Hermes conduzisse a jovem à assembléia dos deuses e a ela foi oferecida uma taça de ambrosia. Então com toda a cerimônia, Eros casou-se com Psique, e no devido tempo nasceu seu filho, chamado Voluptas (Prazer).


Fonte: AngelFire

Postagem Recomendada Pela Fernanda

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ficção Científica, Ciências Ocultas e Mitos Nazistas

22:32 0

Não é minha intenção fazer pouco do nacional-socialismo interpretando-o em termos de fantasias pitorescas. Todavia, negligenciar e ver como inofensivos os elementos totalmente irracionais do nazismo, evidentes desde sua primeira origem, têm ao menos ajudado parcialmente à conjurar uma aparentemente "natureza incompreensível" das ações nazistas.

No nacional-socialismo, as contradições e irracionalidades de um sistema sócio-econômico clássico capitalista e suas estruturas de poder, foram transmutadas em uma ideologia e apologia aparentemente "naturais". O poder explorador e limitador de classes tornou-se racismo, com uma raça de senhores e sua liderança mística; ciclos de crise econômica e outros direcionamentos tornaram-se a lei cósmica de ciclos recorrentes; o caráter alienante da ciência e tecnologia usados indevidamente como meios para dominação, tornaram-se os conceitos centrais de cultos secretos pseudo-religiosos; o atraso da economia e tecnologia assim como as prevalecentes condições sociais tornaram-se uma obscura mistura de industrialismo enfurecido com uma teoria de "Sangue e Solo". O continuísmo das classes governantes obsoletas era salvaguardada por mitos de "conspirações", enquanto às massas oprimidas eram oferecidos bodes expiatórios como um escoadouro para agressões reprimidas.

Qualquer um que se negue à identificar as justificativas para a irracionalidade na filosofia "séria" (de Schopenhauer e Nietzsche à Spangler ou Jung) como conduzindo ao obscurantismo, naturalmente ficará impressionado em ver que tais fantasias são subitamente e de fato, tomadas muito seriamente quando o fascismo chega ao poder.

Em 1919, a burguesia alemã precisava experimentar quaisquer meios que justificassem a defesa do seu poder. Nesta época, mitos e mágica mudaram-se das salas de visita e cafeterias para lutar contra razão e revolução. A enchente de panfletos e dissertações pseudo-científicas tornou-se devastadora. A FC, lida pelas classes sociais que não eram atingidas pelos panfletos pseudo-científicos e filosóficos, também sucumbiu à esta irracionalidade. A idéia de que o tempo estava maduro para uma "reorientação espiritual" também na literatura, era persistentemente sugerido por tais autores. Eles clamavam por sensações e fantasias imaginativas que ajudariam a conquistar o "materialismo" bruto e sua contraparte, o realismo. Uma articulação aparentemente não-política destas tendências, estendia-se como se segue:

Existem muitos indícios de que o materialismo mecanicista - derivado das ciências exatas que imprimiram sua marca na última década, está finalmente agonizando, devido à recente revolução espiritual. Obviamente, as saudades transcendentais da maioria da humanidade não podem ser suprimidas à longo prazo... Em primeiro lugar, chegamos novamente ao ponto de vista do "assombro" - isto é, nós não mais desprezamos como tolices todas as coisas que não são explicáveis em termos das leis conhecidas da física. Misteriosas conexões entre os seres humanos, independentes de separação espacial e temporal, espectros, a aparição de fantasmas, estão todos novamente no reino do possível.(1)

A citação vêm da revista Der Orchideengarten, a qual era devotada a publicar somente ficção fantástica e desenhos - de modo análogo às revistas americanas "sobrenaturais" e "fantásticas" de FC. Max Valier, que posteriormente seria pioneiro de foguetes e presidente da "Sociedade para o Vôo Espacial", que viajou por todo o país palestrando sobre o fim do mundo, sobre Atlântida e Lemúria, sobre a Cosmogonia Glacial e a penetração no Espaço, e que em 1929 fez uma tentativa mal-sucedida de interessar Hitler no potencial militar dos foguetes (2), foi ainda mais explícito, seja escrevendo só -

Nossa época atual, mais do que qualquer outra, requer uma fonte e centro verdadeiramente cósmicos, para orientação espiritual. Nós precisamos de um choque tremendo, mesmo supra-terreno, para fazer com que recuperemos o senso de nossa identidade que perdemos no redemoinho do egoísmo cotidiano... Na base de uma nova teoria da cognição, buscaremos um conhecimento mais profundo; e para nossas emoções, buscaremos sensações do verdadeiramente primevo choque, de forma que mesmo o fim do mundo e desta Terra, será uma experiência construtiva.(3)

- ou em conjunto com G. W. Surya:

Acreditamos que a astronomia e a astrofísica, dentre as ciências naturais, são pela natureza do seu tema, particularmente talhadas para despertar essa elevação de pensamento, essa revolução espiritual, a qual nós tão desesperadamente precisamos, se o destino de nossa Pátria, até mesmo o do mundo inteiro, é fazer uma virada para melhor... Somente o retorno à um ponto de vista profundo, transcendental, podem ajudar a curar nossas feridas à partir de dentro.(4)

Valier passava a fazer mais precisas suas metáforas nebulosas de realidades políticas e sociais contemporâneas, declarando que "ele sentia-se obrigado a considerar Einstein... como um representante da extrema esquerda"(5). Uma nova publicação de Surya, A Metafísica e a Guerra Mundial, a qual tentava provar que as guerras mundiais não eram devidas somente à atividades humanas, mas que "outras forças" estavam também em operação, era mais abertamente apresentada como "uma tese política extremamente importante".(6)

A função política de tal teoria altamente transcendental é claramente demonstrada nos trabalhos do ex-monge cisterciano Adolph Joseph Lanz, aliás, "Jörg Lanz von Liebenfels", aliás, "Dr. Jörg Lanz". Ele foi o fundador da "Teozoologia" e da "Ordo Novi Templi" (ONT). Em seus trabalhos, termos como "materialismo" e "egoísmo", tornam-se códigos para política racional, socialismo, revolução, e "intelectualismo judeu-bolchevista". "Revolução espiritual", "Fé na transcendência" e "idealismo", por outro lado, representam conciliação social, políticas domésticas reacionárias e uma política nacionalista para estrangeiros:

ao promover seu desenvolvimento, o Império Talmúdico-Tacandálico obteve sucesso em controlar a inteligência dos Cristãos Arianos para seus propósitos, por intermédio da... sociedade secreta dos Maçons. Esta sociedade de obscurantistas é responsável pelo assim chamado "Iluminismo", as várias revoluções, liberalismo, socialismo e materialismo no século XIX, e pelo bolchevismo no XX... Durante a Idade Média... não havia proletariado e nem problema proletário. Esta classe somente veio a existir através dos esforços demoníacos dos maçons modernos e suas falsas doutrinas do assim chamado "Iluminismo".(7)

Qualquer um que veja a razão como a mais elevada atividade da mente humana, é tão retrógrado quanto aqueles eruditos da Renascença que consideravam a Terra como centro do universo.(8)

O monte de esterco conceitual, o excremento mental que é a filosofia e a ciência materialisticracionalistica-socialdemocrática-bolchevista-tacandálica do período moderno, não serão mesmo de interesse histórico nas futuras gerações.(9)

Lanz deriva suas percepções da "teozoologia" e "metafísica racial", cada uma destas um tipo de ciência oculta. Se fôr extraído o nem tão distante racismo moderno declarado, metafísica racial poderia ser vista como o projeto para uma parte considerável da FC produzida em nossos dias:

A prática da metafísica de raças, está relacionada com a pesquisa da história das raças antes de seu ciclo de desenvolvimento terrestre (pré-terrestre)... no futuro das raças depois de seu período terrestre (pós-terrestre), e finalmente com a pesquisa das forças extra-sensoriais, extra-terrestres e cósmicas que influenciam o desenvolvimento racial no presente.(10)

As contradições inerentes deste e de sistemas similares não serão discutidas aqui. Uma análise de tais itens assim como a rejeição simultânea do darwinismo e a aceitação da pseudo-darwinista "sobrevivência dos mais aptos", ou os argumentos para um universo populado com seres inteligentes, os quais são contraditos pelo conceito de um universo racialmente etnocêntrico, meramente ilustraria em detalhe as bases irracionais destes sistemas insanos. Parece mais frutífero apontar a flagrante congruência de tais construções com os sintomas psicóticos e as tendências fascistas de "caráter autoritário", tais como [1] o desejo sado-masoquista por submissão à uma força externa irresistível (diversamente interpretada como um "agente" da Providência, ou Natureza, ou Destino, etc), com o concomitante desejo de fazer as pessoas mais fracas pagarem, em compensação por isso; [2] a projeção de nossos próprios impulsos destrutivos e primitivos sobre minorias impopulares; [3] a rejeição da política racional, de fato, de todo e qualquer esclarecimento intelectual; [4] as lendas de "conspirações".(11)

O grau em que fantasias conspiratórias foram projeções puras de suas próprias intenções secretas, é demonstrado pelo modo como elas foram primeiro nutridas em grupos de ciências ocultas de algum tipo de sociedade secreta. Estes grupos e seu obscurantismo foram de considerável significância no primitivo desenvolvimento do partido nazista, sua ideologia e sua posterior organização de células em "ordens".(12)

Da confusa massa de conceitos obscuros que eram usados em FC, quatro tentativas vagas de sistematização podem ser extraídas: "Cosmogonia Glacial", o mito da Atlântida/Thule, Teozoologia, e a teoria do Mundo Oco. Estas sistematizações podiam ser combinadas, e apoiavam-se uma na outra.

Cosmogonia Glacial ou a Doutrina do Gelo Universal (Welteislehre) e o mito da Atlântida tinham um relacionamento particularmente próximo. Atlântida (ou Thule) representava o Paraíso Terrestre e o lar original dos arianos teutônicos, enquanto o conceito de recorrência cíclica da Cosmogonia Glacial assegurava que a Atlântida se levantaria novamente. Deste modo, o mito da Atlântida e a Cosmogonia Glacial tornaram-se os temas dominantes da FC germânica nos anos 1920 e 1930. Ou o ressurgimento da Atlântida causaria a submersão dos países da Entente (13) (possivelmente de acordo com a teoria dos vasos comunicantes), ou restos da Atlântida, a qual tinha sido destruída por eventos cósmicos, eram descobertos no espaço, advertindo os astronautas germânicos a reconstruirem o legítimo império global ariano (isto é, alemão), retornar à pureza racial, à uma liderança mística e ao irracionalismo chamado "ciência ariana":

As criaturas estavam muito mais próximas da terra nestes dias. Eles controlavam as misteriosas forças da natureza não em virtude do seu conhecimento, muito menos por sua ciência, mas em virtude de seu próprio ser. Quanto mais a humanidade aprendeu a pensar racionalmente, quanto mais perdeu seus poderes visionários. Eles se deliciaram com sua perspicácia e falharam em notar o aviso de seus poderes primevos.(14)

Naturalmente, as várias quedas da Lua sobre a Terra na Cosmogonia Glacial, sempre ocorriam em tempos de depravação racial e ética.

A crença na Atlântida e na Cosmogonia Glacial também inspiraram os cerca de 600 membros da "Sociedade para o Vôo Espacial"(15), que desejavam escapar da miséria alemã por meio de espaçonaves. Eles queriam descobrir "novos mundos, como conquistadores modernos"(16); eles planejavam aumentar a grandeza da Alemanha construindo uma estação espacial cujo "valor estratégico", entre outras coisas, consistia, como Willy Ley escreveu, em "criar tornados e tempestades, destruindo exércitos em marcha e suas linhas de suprimentos, e queimando cidades inteiras"(17). Graças à ativa propaganda desta sociedade, a idéia da viagem espacial tornou-se tão popular que foguetes lunares tornaram-se um item regular em desfiles carnavalescos, e Fritz Lang foi estimulado a fazer o filme A Mulher na Lua (1928), para o qual ele recorreu à consultoria especializada da Sociedade.

Os líderes nazistas tinham uma fraqueza especial pelo mito da Atlântida. O professor racista e panfletário Herman Wirth, interpretou um papel principal nesta conexão, advogando em seus concílios internos, "uma tremenda reviravolta da cultura, para longe da idade da razão e consciência, rumo à era de uma 'certeza sonâmbula', a era da mágica supra-racional". Heinrich Himmler e Wirth fundaram o "Grupo de Estudo da História Espiritual", Deutsches Ahnenerbe (Herança Germânica) - a qual propagava tal pseudo-ciência e a qual era, por exemplo, responsável pelos experimentos de congelamento profundo (com coito subseqüente, "um antigo remédio popular"!) nos campos de concentração, bem como pela coleção de esqueletos em Estrasburgo, abundantemente suprida por espécimes de "raça inferior" assassinados (18). Deste modo, eles acharam louváveis os esforços do Conselheiro de Edificação do Governo (Regierungsbaurat), Edmund Kiss, um dos mais bem sucedidos exploradores dos temas Cosmogonia Glacial/Atlântida. Além dos romances de aventura em geral, ele escreveu uma tetralogia (19) na qual apresentava uma versão mitologizada da queda do império germânico, sua reconstrução, e sua vindoura supremacia mundial sob a norma fascista.

No primeiro volume de Kiss, O Mar Vítreo, o apocalipse de João, o qual "encarna o conhecimento primitivo do cosmos e do nosso mundo" (20), é reinterpretado como uma descrição de uma catástrofe global, a qual resultou da queda da "lua terciária". Antes deste evento, havia existido ordem no mundo: escravos tinham sido treinados com o "relho de mamute" (p.120). Agora, para os "louros de olhos azuis", havia chegado a hora de "manterem suas cabeças erguidas sob as bordoadas do destino" (p.169), e assegurar "a existência continuada da raça humana" apossando-se das mulheres disponíveis - lema: "Faça com que confiem em você, depois agarre-as" (p.240).

No segundo volume, Primavera em Atlântida, os "Ases" (isto é, arianos) obtiveram sucesso. Eles se multiplicaram rapidamente em seu reino setentrional, até o ponto de construirem a "comunidade orgânica de um império mundial" (p.11), com seu centro e capital na Atlântida. "Peles marrons de olhos puxados" trabalham para os "louros de crânios estreitos". Graças à uma efetiva "direção espiritual", os Ases são reverenciados como "deuses brancos" (p.12, p.18). "As nações escravas visitam Atlântida, a fim de levarem a profunda e inarrancável impressão do esmagador e irresistível poder dos nórdicos, ao voltarem para seus lares distantes" (p.41). (Hitler tinha as mesmas idéias concernentes às medidas que ele empregaria para inculcar uma "consciência-mestra" nas "populações não-germânicas das zonas setentrionais ocupadas": "Ele também pensava que a superstição era um fator que tinha de ser considerado no negócio de liderar homens, mesmo sendo alguém completamente superior à ela e rindo-se dela"; "o único propósito permitido de lições de geografia deveria ser o de ensinar que a capital do Império é chamada Berlim, e que todo mundo deveria visitar Berlim pelo menos uma vez na vida"; "uma vez por ano, seria dado à uma trupe de kirghizes, um passeio turístico através da capital, para que impressionassem sua imaginação com o poderio e o poder de seus monumentos de pedra")(21). De volta à Kiss: o "Birô Racial de Asgard" (p.17), supervisiona a manutenção da pureza racial na raça mestra (22); todavia, os líderes têm de fazer as mesmas concessões que os nazistas descobriram serem inevitáveis:

O desejo de milhões [é] criar uma base racial granítica como alicerce do império, não um bloco de absoluta pureza racial - os pecados de nossos antepassados tornaram isso impossível - mas um bloco de precioso material racial com a riqueza da alma nórdica como sua importante herança. (p.278)

O herói também tinha o "olhar fixo do Führer", que Hitler supostamente praticava na frente do espelho, e que é fortemente evocativo dos efeitos de uma tireóide hiperativa:

Mas no mesmo momento... a centelha dourada brilhou novamente, das profundezas dos persuasivos olhos cinzentos, a centelha que constituía o mistério da radiante essência infantil deste homem. Quando esta centelha morria, as feições aquilinas dispostas numa expressão de férrea e predatória determinação, e o gélido fulgor cinza-claro, obrigavam muitos inimigos, não usualmente dados à tais ações, a evitar seus olhos. (p.72)

O terceiro volume, A Última Rainha da Atlântida, mostra o império dos Ases no ápice do seu poder. Os "homens nórdicos" vivem em "castelos isolados e fazendas fortificadas nas marcas fronteiriças". Os atlantes continuam a provê-los com mulheres "racialmente puras" ou puro-sangue (p.28) - como podemos ver, precisamente o modo de vida que os nazistas imaginavam para si mesmos nos territórios ocupados do Leste Europeu:

Por um momento, observamos os trabalhadores, aqueles Zipangus fortes, animalescos, cujos crânios são enfaixados em tenra idade para que se desenvolvam para trás, para que eles possam ser mantidos como o grupo projetado para o trabalho físico.(p.48)

Nós, os atlantes, sabemos por nossa história milenar, tão cheia de conquistas e derrotas, que somente uma casta de seres humanos superiores podem efetivamente governar o globo que é nossa bela Terra. Raças inferiores devem ser treinadas e moldadas para satisfazer as necessidades e os propósitos que promovem o crescimento do reino. (p.49, e igualmente p.258)

Falta de sorte! O "martelo do destino" (p.101), "atinge com poderoso golpe" (p.118), a aparição de uma nova Lua (a nossa) condena Atlântida, e os Ases são mais uma vez reduzidos a pessoas que devem "lutar por seu lugar ao sol" (p.192).

Em Os Cisnes Cantantes de Thule, os atlantes sobreviventes têm de abrir seu caminho (tendo com eles, naturalmente, a bandeira, branca e azul com uma suástica, da Atlântida) de volta à terra de origem. Em sua "luta pela vida, território e poder" (p.27), o princípio da liderança é restabelecido: "Situações desesperadas só podem ser salvas se um homem comanda e os outros obedecem" (p.65). Para que mesmo o mais obtuso dos leitores entendesse a referência, os Ases encontram a "Teutolândia" habitada por uma "população de camponeses nórdicos de... razoavelmente boa raça" (p.208). Com a ajuda genética dos nativos, os Ases criam - num mundo cheio de "ralé de pele escura", "animais humanos" e "homens inúteis" (p.183) - "uma nova, dura e arrepiante nobreza" (p.188). Para conseguir isso, eles ocasionalmente atacam tribos vizinhas para, usando a terminologia de Hitler(23), "apurar a raça" (p.169). O romance culmina com a seguinte declaração:

Somente um homem que irá proteger tanto seus objetivos quanto sua liberdade com uma espada afiada no ataque e na defesa, pode manter o domínio sobre sua vida nessa terra. Ataque é sua melhor política. Não é nunca uma questão de ser nosso direito fazer assim. Isto é nosso em virtude da nossa existência. É uma questão de poder. (p.206)

As coisas que Kiss projetou no passado distante, as quais Hitler e Himmler queriam realizar no Leste Europeu, foram projetados no futuro próximo por Paul Alfred Mueller (pseudônimo "Lok Myler") em sua série de panfletos Sun Koh, O Herdeiro da Atlântida, e Jan Mayen (24). Os heróis, tipos carismáticos de líder, foram escolhidos pelo destino - e também providos com recursos de uma sofisticada e extremamente poderosa tecnologia. É sua vocação criar novos territórios cultiváveis para o povo alemão e as raças brancas. Isto eles obtém retirando a Atlântida do oceano e fazendo a Groenlândia (Thule) cultivável. O modo pelo qual "Sun Koh" e "Jan Mayen" tratam o resto da humanidade na perseguição dos seus objetivos, diferencia-se dos métodos nazistas somente pelo fato de que os fictícios povos inferiores se submetem rapidamente. Mueller também foi um dos autores que propagaram a teoria do "Mundo Oco". Esta importação teórica dos EUA, experimentou o ápice de sua popularidade em 1941-42, quando o Ministério da Frota Alemã aparentemente realmente executou experiências de radar, que teria - se a teoria estivesse correta - permitido-lhes observar Scapa-Flow [a principal base da Marinha britânica - N. do T.] a partir de Reugen, no Mar Báltico. A teoria do Mundo Oco era tolerada pelos nazistas (25), mas tinha somente uns poucos seguidores nos escalões superiores do partido. Dessa forma, Mueller tinha de manobrar cuidadosamente quando tentava instituir a teoria do Mundo Oco na visão de mundo oficial dos nazistas. Em seu romance, o alto funcionário do partido nazista que tinha sido convertido à teoria, sofreu um acidente fatal quando ia fazer a comunicação ao Führer.

"Teozoologia", propagada por Josef Lanz na série de panfletos de Ostara, A Biblioteca dos Louros e Direitos Masculinos (26), não era abertamente adotada nos escritos oficiais nazistas, e só raramente era explorada na FC (27). Todavia, esta teoria mostra as mais obscuras motivações do merniqueanismo racista, idéias que ainda estão espalhadas na FC de hoje em dia. Lanz não pode nem mesmo exigir o direito de ter sido o criador e inventor deste sistema de ilusão sexualmente neurótico. Um caso de compêndio para psicanálise, Lanz meramente reinterpretou a antropogênese teosófica de Blavatsky e Besant em termos sexuais. Na teosofia, a humanidade cai porque os homens copularam com animais femininos; no sistema de Lanz "todas as calamidades na história do mundo... têm sido causadas pelas mulheres liberadas" (28). De acordo com sua teoria, anunciada primeiramente em 1905 (29) (August Strindberg foi um dos primeiros convertidos):

A raça do puro-sangue e completo Homem Ariano, não foi somente o resultado de seleção natural. Em vez disso, como indicam os escritos esotéricos, ele foi o resultado de um cuidadoso e consciente processo de criação por tipos superiores e diferentes de seres, tais como os Theozoa, Elektrozoa, Anjos et sim., os quais viveram outrora nesta Terra (30).

Eles eram máquinas eletro-bióticas perfeitas, caracterizados por seu conhecimento e poder sobrenatural. Seu conhecimento englobava tudo a ser encontrado no universo e além, nos espaços metafísicos da quarta, quinta e enésimas dimensões. Eles percebiam tais objetos por meio do seu olho eletro-magnético-radiofótico em sua testa, o rudimento do qual é a glândula pineal humana. Eles tinham conhecimento de todas as coisas, e podiam ler o passado, presente e futuro a partir do éter. É por isto que eles executavam o papel de oráculos até bem dentro dos tempos históricos e continuam, ainda hoje, nos médiuns. Eles possuíam poderes sobrenaturais "divinos", cujo centro está localizado no cérebro lombar. (Nota: veja os "cintos mágicos" que conferiam desmedido poder à deuses e demônios; a "capa de invisibilidade" de Siegfried e Alberich.) Seus corpos exsudavam raios de fogo e luz, os quais... materializavam-se em uma mão e se desmaterializavam na outra, quebrando átomos e reconstruindo-os, cancelando a gravidade. (31)

Todas as espécies daninhas e imprestáveis de plantas, animais, e humanos são naturalmente o trabalho dos "Daemonozoa" (isto é, anjos caídos). O pecado original do "Homo sapiens, ou, mais precisamente, o Homo Arioheroicus" (32) foi causado pelas mulheres destes arianos louros e celestiais, que - como agora - foram atraídas, "por causa da magnitude do membro" dos "antropossauros masculinos" (com seus "pés de mesa"!) e seus descendentes, "as raças de animais humanos (negros, mongóis, judeus etc)". As mulheres copulavam com estas criaturas baixas de modo "mais sodomítico" (33). Especialmente os traços faciais dos "sanguinários bolche-judeus... nos fazem lembrar até hoje as horríveis faces dos monstros-dragões antediluvianos"; eles são os "descendentes diretos dos... hominídeos-dinossauros de duas pernas" e apropriadamente ainda pertencem ao "reino animal"; Rosa Luxemburgo, a líder assassinada da esquerda germânica e judia de origem, era uma "pequena, anã Bezah puro-sangue" - "como aquelas criadas 2000 anos atrás nos templos-zoos da Palestina" (34). "Bolchevismo, marxismo, sovietismo, comunismo, socialismo, democratismo... são desdobramentos... destas origens raciais primevas, vis e inferiores" (35). Para fazer a correção destas condições raciais e políticas, os arianos devem praticar a pureza racial e a procriação científicas:

Através do influenciamento consciente e orientado à objetivos das glândulas secretoras, seremos capazes, nos próximos dois séculos de reconstruir os átomos e células de todas as criaturas viventes e... finalmente criar uma nova raça humana, a qual desenvolverá como resultado o Aryoheróico. (36)

E quanto à técnica, "a tecnologia... [E] toda a sabedoria científica superior... deve permanecer como conhecimento secreto de uma elite governante heróico-ariana numericamente pequena, puro-sangue". (37)

Uma criatura escrava recém-criada, com nervos rudes e mãos fortes, cujas potencialidades mentais tenham sido cuidadosamente limitadas... realizará para nós todos aqueles trabalhos para os quais nós não tivermos inventado máquinas... O proletariado e a sub-humanidade não podem ser melhorados ou salvos ou tornados felizes. Eles são trabalho do Demônio e devem ser simplesmente - claro, humanamente e sem dor, eliminados. Em seu lugar, teremos máquinas biológicas, cuja vantagem sobre máquinas mecânicas é que elas consertarão e reproduzirão à si mesmas... Este 'robô' será a chave para o futuro, dado que sua existência solucionará não somente o problema tecnológico, mas também o social e o rácio-econômico - e através disso todos os problemas políticos - que nos importunam. Igualdade total é besteira!... A questão social é uma questão racial e não econômica... Quem pode dizer onde a igualdade de direitos irá parar? Por que pará-la no aborígene australiano? Gorilas, chimpanzés e morcegos têm exatamente a mesma reivindicação por "direitos humanos" socialistas.(38)

Lanz descobriu-se em ilustre companhia com tais idéias. Oswald Spengler articulou o conceito fascista-tecnocrático de tecnologia, ciência e filosofia como instrumentos de dominação quase da mesma forma - os arianos tornar-se-iam novamente "os sábios sacerdotes da máquina" (39) e cultivar as ciências como uma religião de classe dominante:

O grupo da espécie-Führer permanece pequeno. Eles constituem o grupo das verdadeiras bestas de rapina, o grupo dos dotados, os quais dominarão o crescente rebanho dos outros, de um jeito ou de outro. (40)

Estas são... não somente dois tipos de tecnologia... mas também dois tipos de criaturas humanas... aqueles cuja natureza é para comandar, e aqueles que obedecem, sujeitos e objetos de qualquer processo político e econômico. O mais significante sintoma do iminente declínio e queda, está para ser encontrado no que eu gostaria de chamar de traição da tecnologia... Em vez de manter o conhecimento científico secreto, o conhecimento que representa a mais sagrada posse das pessoas "Brancas", foi prepotentemente revelado para qualquer um, em universidades, em conversas, palestras, e publicações... As vantagens insubstituíveis que as pessoas brancas mantinham, têm sido desperdiçadas, dissipadas, traídas. (41)

Himmler e Hitler (42) queriam prevenir a iminente derrocada da civilização "Ocidental", nos territórios conquistados da Europa do Leste ao menos, precisamente através destes métodos que eles imputavam aos judeu-bolchevistas: "tentar eliminar os transportadores nacionais de inteligência dentro de uns poucos anos, para fazer as pessoas... prontas para um destino de permanente escravidão e opressão" (43). As pessoas dos "Territórios Orientais" deviam, de acordo com as idéias de Hitler e Himmler, viver em comunidades aldeãs isoladas e desenvolver seus próprios "cultos mágicos": "Seria melhor ensinar-lhes a entender apenas uma linguagem de sinais. O rádio deveria prover música ilimitada, o que é bom para estas comunidades. Eles não devem aprender a usar seus cérebros." (44)

Hitler, o discípulo de Lanz, também considerava "Ciências puras e aplicadas... uma realização quase exclusivamente Ariana" (45). Somente "quando conhecimento readquire o caráter de conhecimento secreto, iniciático, e deixa de ser acessível à qualquer um, isto preencherá novamente a sua função normal, nomeadamente aquela de ser os meios e o poder para controlar tanto a natureza humana quanto a não-humana" (46). Com seu inegável instinto para o que era publicamente aceitável, Hitler discutiu suas teorias favoritas somente entre íntimos. Estas idéias provaram ser coletadas quase que exclusivamente de tratados de "ciência popular" tais como os de Boelsche e Lanz:

Eu tenho lido um trabalho sobre a origem das raças humanas. Eu costumava pensar muito sobre esse assunto na minha juventude, e eu devo dizer que se alguém olhar mais de perto para os mitos e lendas tradicionais... chega-se às mais peculiares conclusões. Em parte alguma há um desenvolvimento dentro das espécies que seja comparável em grau e tipo ao que o homem teve de experimentar, para cobrir a distância entre um estado de quase-símio e seu presente modo de ser... Mitos não podem ter sido construídos sem qualquer fundamento. Qualquer conceito deve ser precedido pelo fenômeno do qual é derivado. Não há nada que nos impeça, e deveras, eu acredito que deveríamos estar certos, em assumir que personagens e situações mitológicos são representações de uma realidade anterior. (47)

Um novo tipo de ser humano está começando a se manifestar, muito no sentido científico de uma nova mutação. As velhas espécies de homem até aqui existentes, agora entram necessariamente no estágio biológico de degeneração... Uma submergirá sob o homem e a outra se erguerá bem acima do homem atual... Sim, o homem deve ser transcendido... O novo homem vive entre nós. Ele existe!... Eu vou lhes contar um segredo. Eu vi o novo homem, destemido e impiedoso. E eu tive medo. (48)

Lanz poderia não só afirmar ser um dos "avôs do Fascismo e Nacional Socialismo"(49), ele é também um legítimo ancestral da moderna FC. Como declarou em 1930, "uma geração totalmente nova de autores está já agora vivendo de sua exploração das idéias-'Ostara'" (50).

Uma ciência e tecnologia funcionando como uma religião de massa e a "transcendência do homem" são hoje mesmo os conceitos favoritos de precisamente todos aqueles burocratas (e seus aliados literários) que pensam em si mesmos como particularmente progressistas e não-preconceituosos. Da mesma forma que no fascismo, freqüentemente eles também propagam uma pseudo-filosofia de modo-de-vida-são, usualmente consistindo de um barbarismo social-darwinista como estilo de governo e princípio de organização social. Como Hitler disse: "Sim, nós somos bárbaros. Nós realmente escolhemos sê-los. É um título principesco. Somos nós que renovaremos o mundo, Este mundo está morrendo" (51). A epítome de todos os slogans contra-revolucionários, "Em nosso mais distante passado jaz nosso mais moderno futuro", de Lanz (52), foi o lema sócio-político do fascismo. Na FC - germânica e americana - este conceito é ainda constantemente utilizado e reanimado (quanto ao bestseller de Erich Von Däniken, Memórias do Futuro, alguém poderia começar uma ação de direitos autorais contra ele). Sua conjunção tradicional com o racismo, têm, sem dúvida, se tornado menos prevalente, mas a combinação programática de "espada e feitiçaria" como estilo de poder e estrutura social, com "ficção científica", representando o capitalismo sem freios e o industrialismo tecnocrático, ainda está conosco.

(Manfred Nagl é crítico literário, e autor de Science Fiction in Deutschland).



Fonte: ceticismoaberto

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Índios Suspeitos de Canibalismo no Amazonas

14:26 0

Seis índios são suspeitos de canibalismo em uma aldeia da tribo kulina, na cidade de Envira (AM). A vítima é Océlio Alves de Carvalho, 21 anos, deficiente intelectual, que desapareceu na tarde de 1º de fevereiro. O corpo dele foi esquartejado e encontrado por familiares, sem órgãos e vísceras, perto da aldeia, na terça-feira (3). A polícia informou ter ouvido uma testemunha, que afirmou ter visto os índios comerem órgãos da vítima.

O rapaz foi sepultado na quarta-feira (4), em um cemitério da cidade. Os representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) chegaram ao local no dia seguinte ao sepultamento. A Funai foi procurada pelo G1 para comentar o caso, mas ainda não se pronunciou.

Segundo o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) de Envira, a morte foi provocada pela quantidade de facadas no corpo da vítima, que tinha cerca de 60 marcas, seguida de esquartejamento. "Os órgãos foram assados em uma espécie de ritual na aldeia. Não foram encontrados o coração, cérebro, fígado e outros pedaços do corpo", disse o sargento José Carlos Correia da Silva, da Polícia Militar, e que também responde pela delegacia da cidade.

Fonte: G1 e sobrenatural.org
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Cachorro Negro

15:47 0
Afonso era um sujeito alegre que vivia contando piadas. Mesmo assim, alguns de seus colegas desconfiavam de que ele guardava algum segredo. Embora fosse bastante comunicativo, recusava-se a falar do próprio passado. E muitos de seus conhecidos não o consideravam possuidor do melhor caráter deste mundo. Toda à noite, depois do trabalho, Afonso ia para um determinado bar e ficava bebendo, petiscando e passando cantadas nas garotas. Normalmente ele era um dos últimos fregueses a deixar o local. Naquela noite, ele foi o último a sair. Um denso nevoeiro dava à rua deserta um aspecto assustador. Meio bêbado ia tomar o rumo de sua casa quando alguma coisa o fez paralisar-se por uns instantes. Era um cachorro grande, preto, que o encarava com insistência. – Passa! Disse Afonso. Mas o cão não se moveu. Afonso falou mais alto, bateu com o pé no chão, gritou. O animal permaneceu a encará-lo com seus olhos de um tom castanho-amarelado que lhe pareceram algo entre tristes e decididos. O único som que Afonso ouvia, além da própria voz, era o da respiração do cão, que não se moveu. Embora estivesse com um pouco de medo, Afonso deu-lhe as costas e seguiu caminhando em direção a sua casa, que ficava ali perto. Pelo menos, o cachorro não o seguiu – permaneceu estático onde estava. Na noite seguinte, a mesma coisa: ao sair do bar, lá estava o cão negro. Afonso gritou com ele, e ele continuou a fitá-lo de uma forma que parecia desnudar-lhe a alma. Afonso foi-se embora, apreensivo, e o cão continuou no mesmo lugar. A cena se repetiu por várias noites. Numa delas, Afonso saiu do bar com uma lata de cerveja e atirou-a na direção do animal. Nem assim o bicho se moveu. Quando deixava o bar na companhia de alguém, percebeu que não enxergava o cachorro. Mas sempre que saía sozinho ele estava lá, cravando-lhe o olho. Numa determinada noite, após haver tido uma desilusão amorosa, ficou bebendo só até altas horas. Afonso até se havia esquecido do cachorro, por causa de sua irritação. Mas, quando saiu do bar, lembrou-se dele. Havia novamente um denso nevoeiro, comum naquela cidade durante aquela época do ano. A rua estava erma e escura. Afonso olhou em volta. Não viu nem sinal do cão. Respirou aliviado e deu alguns passos na direção de sua casa. Nesse instante, sentiu uma mão pesar sobre seu ombro e se voltou. Deparou-se com dois homens, que tinham o rosto coberto. Um deles mostrou-lhe uma faca. – A carteira ou a vida – disse ele. Afonso demorou um pouco para entender que estava sofrendo um assalto. Os efeitos do álcool o deixavam confuso. Excitado pela bebida, resolveu reagir. Tentou dar um soco no assaltante que estava desarmado. Mas o fato é que mal conseguia se manter em pé, e o sujeito facilmente o derrubaram, preparando-se para começar a chutá-lo. De repente, Afonso viu uma sombra negra se lançar sobre o assaltante e fazê-lo rolar pelo chão. O outro assaltante recuou um pouco, mas depois investiu contra a criatura com a faca. Esta se lançou em sua garganta. O homem soltou um grunhido, o último som que conseguiu emitir, e deixou cair à faca. Afonso ouviu o metal da arma tilintando ao cair na calçada e sentiu o sangue respingar sobre si. Tentou se levantar, mas só conseguiu sentar-se no chão. O cão negro lançou-se sobre o outro assaltante e Afonso viu, com certo horror, que o animal o mordia no rosto, arrancando-lhe parte da face. O infeliz berrou, desesperado. Afonso finalmente conseguiu se levantar e saiu dali, correndo, cambaleando, caindo e tornando a levantar-se, até que finalmente entrou em casa. Seu casaco estava manchado de sangue vermelho-escuro. Livrou-se da peça de roupa e mal teve tempo de chegar ao banheiro, onde vomitou, um pouco por causa da bebedeira, um pouco por causa da cena grotesca que acabara de presenciar. No dia seguinte, esperava ler alguma coisa no rádio ou nos jornais acerca dos assaltantes. Deviam ter morrido. Pelo menos o que tivera a garganta dilacerada pelo cão. Mas não havia uma palavra sequer na imprensa acerca do ocorrido. Bem cedo, passou pela frente do bar, imaginando que ainda haveria vestígios do sangue derramado, mas a calçada estava estranha e impecavelmente limpa. Perguntou ao funcionário da limpeza do bar e a alguns vizinhos. Ninguém sabia de ataque de cachorro ou coisa parecida por ali. Afonso foi trabalhar, mas permaneceu o dia inteiro confuso. Teria sido uma alucinação? Quando chegou em casa, as manchas de sangue em seu casaco pareciam demonstrar o contrário. Resolveu guardá-lo sem lavar, mais para se convencer de que não estava louco do que por qualquer outro motivo. Durante alguns dias, não foi ao bar. Mas, por fim, seus amigos o convenceram de voltar lá, no que sempre fora seu lugar preferido da cidade para um “happy hour”. Acabou ficando até mais tarde e saiu sozinho. Mal cruzou a porta do estabelecimento, divisou, em meio à neblina, a figura conhecida do cachorro preto. Talvez estivesse bêbado demais para ter medo, mas o fato é que o animal provavelmente lhe salvara a vida. – Vem cá – chamou. O cão moveu-se em sua direção. Afonso acariciou-lhe a cabeça. Caminhou lentamente para casa, e o cachorro o seguiu. Afonso abriu o portãozinho do pátio e o deixou acomodar-se na varanda. Na manhã seguinte, o animal permanecia por ali. Deitou-lhe algum resto de comida antes de sair para o trabalho. Porém, naquele mesmo dia, Afonso descobriu, pelos jornais, que havia sido descoberto o corpo em decomposição de um homem, com a garganta dilacerada, e, pela foto que apareceu no jornal, identificou o bandido que o atacara. Não fazia idéia de como o corpo atravessara a cidade e fora parar no matagal onde havia sido encontrado. Porém, lembrando-se de que havia outro bandido, o qual talvez ainda estivesse vivo – vivo, desfigurado pelas mordidas do cão e furioso, resolveu comprar uma arma para se defender, caso o criminoso sobrevivente viesse atrás dele. Adquiriu clandestinamente um revólver que guardou em casa. Daí a algumas noites voltou ao bar e conheceu uma garota. Após algumas doses de bebida e muita conversa, convenceu-a a visitar sua casa. Quando chegaram, Afonso não viu o cão no pátio da frente. Chamou-o, mas ele não apareceu. Não deu importância. Ele e a jovem entraram. Afonso acendeu a luz. De repente, vindo do interior da casa, o enorme cão negro avançou furiosamente. A moça ainda teve tempo de gritar. O animal lançou-se sobre ela, derrubando-a. Afonso tentou afastá-lo, mas o cão rosnou para ele de forma tão assustadora que ele se desesperou. Investiu contra o bicho, que o mordeu, rasgando-lhe a pele da mão esquerda, e voltou a cravar os dentes no peito da moça, de uma maneira tal que parecia querer arrancar-lhe um dos seios. Ela berrava, contorcia-se, mas não conseguia se defender. Diante daquela visão horrível, Afonso buscou o revólver. Apontou-o e hesitou. – Atira! Gritou a mulher. – Por favor, atira! A mão de Afonso tremia, mas ele apertou o gatilho duas vezes. Súbito, o cão largou sua presa e fugiu para o fundo da casa, sem qualquer sinal de ferimento. Afonso correu para a jovem, que ainda lhe lançou um olhar desesperado. Sua roupa estava coberta de sangue. Ele pensou em chamar uma ambulância, mas, mal tirara o telefone do gancho, ouviu fortes batidas na porta: – Polícia! Gritou uma voz masculina. – Abra! Estarrecido Afonso não se moveu. A voz insistiu, e ele pensou em fugir, mas não teve tempo. Dois policiais arrombaram a porta e, antes que ele entendesse o que estava acontecendo, haviam-lhe colocado às algemas. Um vizinho ouvira os tiros e telefonara para a polícia, que acionara uma viatura que se encontrava próxima ao local... Diante do Delegado, Afonso tentava se explicar: – Um cachorro... Meu cachorro a atacou, e eu tive de atirar para tentar salvá-la! O Delegado o olhou com interesse. – Deveras, Sr. Afonso? Pois eu lhe digo que não havia qualquer sinal de dentadas de cachorro no corpo da vítima. – Mas como? Eu vi! O cachorro mordeu... Mordeu os seios dela, e eu tive que atirar nele! O Delegado deu uma gargalhada e o encarou. – Desta vez você arranjou uma desculpa terrivelmente absurda para ter cometido um crime, Afonso Pedroso. Afonso se sentiu confuso. – O quê? Perguntou. – Você não se lembra de mim, Afonso. Mas eu me lembro de você. Faz tempo e foi longe daqui. Eu era apenas um inspetor de polícia. Mas me lembro muito bem de seu ar de deboche, de sua certeza na impunidade. Desta vez você não vai escapar, Afonso. Fez uma pausa e o olhou: – Até porque não é de um único homicídio que você está sendo acusado. O namorado da mulher que você matou também foi assassinado há alguns dias. Era um cara bastante perigoso, e não vou me admirar se você alegar legítima defesa. Mas também não vou acreditar em você. Nem o promotor. E, provavelmente, nem o júri, desta vez. – Quem foi assassinado? Perguntou Afonso, sentindo-se cada vez mais perdido. – O namorado de sua vítima, Afonso. Foi encontrado morto num matagal, há alguns dias. E nós encontramos um casaco seu, na sua casa, com sangue. Tenho certeza de que os exames comprovarão que é o sangue dele. Afonso sentiu-se sem ar. – Mas... – gemeu. – Mas também foi o cachorro que matou aquele homem!... O Delegado deu uma gargalhada. – Cachorro? Que cachorro? A polícia não viu cachorro nenhum em sua casa, Afonso! Afonso estremeceu. O Delegado inclinou-se em sua direção e cravou-lhe o olho. – Desta vez, você vai pagar por estes dois crimes, Afonso Pedroso. Pena que eu não possa mais fazer você pagar por aquele outro... Arrastaram-no à cela da Delegacia. Num canto dela, havia uma janelinha com grades que dava para um pátio interno. Afonso correu para ela, sentindo-se sufocado, e respirou fundo. Então, seus olhos pousaram numa sombra negra, na qual brilhavam duas chamas castanho-amareladas, que o encarava, ofegante, a língua muito rubra balançando no ritmo de sua respiração. De repente, Afonso se lembrou de tudo o que acontecera anos atrás. Tivera um bom advogado e fora absolvido. Obrigara-se a se esquecer. Mas agora, tudo voltava à sua mente, como se houvesse uma explosão, um clarão que lhe incendiasse, na alma, aquelas memórias que ele tentara enterrar com tanto afã. Um empregado de seu pai. Um jovem. Já nem se lembrava por quê. Talvez houvesse sido por ele haver reclamado das regras de trabalho desumanas a que ele e seus companheiros costumavam ser expostos. Afonso e outros dois empregados, mais subservientes, haviam-no encurralado, num canto da fábrica, após o final do expediente. Afonso dera-lhe um soco tão violento que lhe fizera com que dois dentes do infeliz saltassem longe. Depois, enquanto os outros dois o agarravam, Afonso lhe desferira vários pontapés. O jovem cuspia sangue, e Afonso não sabia se era dos dentes arrancados ou se de dentro de seu corpo, de algum órgão interno – e nem lhe importava. Por fim, um dos dois tinha lhe alcançado uma barra de ferro. Afonso batera com ela no jovem até seu braço ficar dormente. Os outros dois empregados haviam-no levado, moribundo, e o tinham soltado a uma boa distância da fábrica. Mas Afonso ficara sabendo que o jovem não tinha resistido aos ferimentos. O cachorro preto latiu, arrancando-o de suas lembranças. Súbito Afonso compreendeu. – Desgraçado! Gritou. – Vagabundo!... Dali por diante, sempre que foi levado a interrogatório, Afonso só pronunciava o que, aos olhos do Delegado, do Juiz e do Promotor, não passavam de palavras sem nexo. Foi considerado louco e internado num manicômio judiciário, onde ficou até o final de seus dias. E, sempre que tentavam falar com ele, dizia coisas sem sentido a respeito do fantasma.

Fonte: O Portal - Lendas Urbanas
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Os Cães Infernais

15:36 0
Há muito tempo atrás, existia um velho chamado Jonas, que morava em uma grande casa na cidade de Laranjeiras. Um dia, Jonas, que tinha muitas dores, foi ao médico. O Ressultado do exame: Câncer. Chateado, Jonas jurou vingança contra todas as pessoas da cidade, culpando-as por causarem seu câncer com sua inveja e sua arrogância contra ele. Jonas tinha quatro cachorros ferozes, que guardavam sua casa dos ladrões. Um dia, para perpetuar sua vingança, ele chamou os cães e recitou um feitiço. Em seguida, ele libertou os animais, que o devoraram. Desde então, os cães continuam vagando pelos esgotos e ruas, com suas coleiras de correntes arrastando no chão. Todos que virem esses quatro cães infernais serão caçados por ele até que eles o devorem, terminando a vingança que seu odioso mestre começou. Se você sair de Laranjeiras, os cães não poderão encontrá-lo, pois devem atacar apenas aqueles que na cidade vivem. Porém, se você olhar diretamente nos olhos vermelhos das bestas antes de fugir, eles continuarão te perseguindo onde quer que você vá.

Fonte: Desconhecida
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Homem De Capa Preta Assusta Moradores De Cidade Gaúcha

15:21 0

Lenda ou realidade, corre de boca em boca em Santana do Livramento (RS) a notícia de que um homem trajando capa preta ronda casas do município. Por aparecer sempre à noite e assustar mulheres, ele já ganhou um apelido: o "Sufocador da Fronteira". Ele teria feito as primeiras aparições na periferia de Rivera, no Uruguai, mas sem registros de ataque.

Mais recentemente, moradoras de Santana do Livramento teriam visto o homem, mas não há registro de invasões ou feridos. O caso mais grave foi de uma família que, assustada, mudou de residência. A dona-de-casa Mônica Patrícia Teixeira, 36 anos, morava com o marido e os quatro filhos na Vila Safira e transferiu-se para a Vila Santa Rosa há 15 dias.

Na antiga casa, ela relata que recebeu duas visitas do também conhecido como homem de capa preta na mesma noite, uma às 20h e outra às 3h. Na segunda aparição, o sujeito tentou entrar na casa. "Fiquei com medo. Protegi meus filhos e esperei que o homem desistisse".

Investigação

Dois registros de ocorrência foram feitos na Delegacia da Polícia Civil da cidade, com a discriminação de que seriam "ataques do Homem da Capa Preta". Sem conseguir dados concretos sobre as aparições, a investigação encara até agora os registros como folclore. "Infelizmente, temos coisas mais importantes para resolver. O caso do homem da capa preta ainda é uma incógnita para nós", disse o delegado Eduardo Sant'Anna Finn.

O parecer da polícia é o mesmo de outra fatia da população. Para alguns, o personagem virou motivo de festa. Na última sexta-feira (18), um evento no Clube Recreativo da cidade foi temático: "Festa do Homem da Capa Preta". O DJ Cebola vestiu uma capa e ainda havia outra disponível para quem quisesse dançar no palco, valendo um brinde.

"É o que todo mundo está falando. Resolvemos aproveitar a deixa", disse o presidente do clube, Álvaro Dias.

Piada ou realidade, o pastor Valério Silveira, 71 anos, decidiu reagir ao adotar uma medida de emergência para ajudar a proteger os fiéis da Casa de Oração. Ele distribui crucifixos "ensangüentados", pintados de vermelho, afirmando que o objeto afugenta o "sufocador".

Fonte: G1

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vampiros

17:57 0
Existem lendas sobre vampiros desde muito tempo, por volta de 125 d.C, quando uma das primeiras estórias ocorreu na Mitologia Grega.

Lendas de Vampiros originaram do Leste e fizeram sua trilha para o Oeste com caravanas junto com a rota de seda para o Mediterrâneo.

Daí elas se espalharam pelas terras Eslávicas e pelas Montanhas dos Cárpatos. O povo Eslávico tinha as mais ricas lendas sobre Vampiros no mundo. Elas eram mais relacionadas com os Iranianos, e migraram para onde estão agora por volta do 8o século. Quase tão logo quando elas chegaram, o processo de Cristianização começou e as lendas dos Vampiros sobreviveram como mitos. Mais tarde os Ciganos migraram para o Oeste vindos da parte Norte da Índia (onde existia um bom número de mitos de Vampiros), e seus mitos se misturaram com aqueles do povo Eslávico que se encontrava lá. Os Ciganos chegaram à Transilvânia pouco antes de Vlad Drácula nascer, em 1431. O Vampiro aqui era o fantasma de um morto, o qual na maioria dos casos foi uma bruxa, mago ou um suicida.

Vampiros eram criaturas temidas, porque matavam pessoas, mas ao mesmo tempo tinham a aparência de uma pessoa; a única diferença era, que eles não tinham uma sombra, nem tinham reflexo em um espelho.Além disso, podiam transformar sua aparência em um morcego, o que fazia deles impossíveis de capturar. Durante o dia dormiam em caixões, mas à noite eles viviam para beber sangue humano e os raios de sol lhes eram mortais.

O lado mais forte dos Vampiros era, a sua quase imortalidade; somente alguns ritos podiam matá-los, como: Enfiar uma estaca em seus corações, decaptá-los ou queimar seus corpos. Este tipo de vampiro é também o tipo mais conhecido, especialmente o Conde Drácula de Bram Stoker é desse tipo.


Os vampiros possuem diferentes raças que especificam seus clãs, seus hábitos, suas crenças e suas leis. As raças se dividem em:

Toreadores

Esses vampiros são os que mais se assemelham com os humanos. Eles ainda mantêm viva sua paixão pela Arte mundana e valorizam muito sua humanidade. Em geral seus neófitos são abraçados por serem artistas natos, tanto faz se ele é um escritor. um pintor ou até mesmo um tatuador. O que importa para o clã é a arte que o novo Membro possui dentro de si. Os Toreadores possuem muitos príncipes na Camarilla pelo fato de possuírem um Status imenso entre os Vampiros em geral. Eles também acompanham a moda dos mortais e suas festas são de surpreendente grandesa. Sua principal disciplina é a Presença e sua fraqueza é o fascínio pela beleza.

Tremere

Traição, cobiça e poder. Estes são os interesses deste clã de magos mentirosos (a Camarilla não aconselha o contato com este clã). Tremere foi um grande mago descendente da antiga ordem de Hermes. Sua capela se localizava na Romênia e todos os seus discípulos eram friamente fiéis a seu senhor, principalmente dois de seus servos: Goratrix e Etrius. Goratrix descobriu o refúgio de Salout (o antediluviano fundador do clã Salubri), praticou experiências com vampiros dos clãs Tzimscie e Nosferatu, trazendo o sangue vampiro para a capela central do clã. Como os tremere são "mortos-vivos" e não podem usar mágica verdadeira (que necessita do avatar para serem realizadas), eles praticam a disciplina taumatúrgica através de rituais que é, nada mais nada menos que, a magia do sangue.

Ventrue

Os Ventrue são os chamados "Sangue Azul" pela Família, eles atribuem a si próprios a fundação da Camarilla e defendem suas leis acima de tudo, em sua maioria são empresários de renome e/ou controlam impérios fabulosos e dinheira às custas de fracos mortais que não são capazes de resistir à sua principal disciplina: A Dominação. A maioria dos príncipes da Camarilla são Ventrue, e seus Justicars são os mais respeitados por todos os Membros (até mesmo pelos Brujah).

Brujah

São os chamados Anarquistas pelo seu povo. Os Brujah defendem a liberdade acima de tudo. Seus ideais e costumes não são vistos com bons olhos pela Camarilla. Após a destruição de Cártago (a segunda cidade, dizem que foi Brujah öu Trolle"quem a idealizou para ser uma cópia da primeira cidade, destruída pelo dilúvio) atribuída aos Ventrue, o clã guarda um imenso ódio pelos "Sangue Azul", não perdendo a oportunidade de humilhar, e até matar, seus arquiinimigos dominadores. Sua principal disciplina é a Potência.

Malkavianos

Os insanos. Os Malkavianos não possuem um grau elevado de raciocínio, ou melhor, seu raciocínio é bastante restrito. É aconselhável nunca tentar entender os pensamentos de um Malkaviano. Geralmente residem em hospícios ou sanatórios e possuem um dom chamado "Tempo Malkaviano", que permite com que diversos membros do clã se encontrem sem terem organizado nada com antecedência. Esses encontros raramente ocorrem. Diz a lenda que o próprio pai Caim amaldiçoou Malkav com a loucura. Motivo? Desconhecido. Eles usam o Auspício (auspex) como disciplina principal para brincar com a mente de suas vítimas.

Gangrel

Os Gangrel são aqueles vampiros calmos, mateiros, que apreciam a natureza e todo o seu esplendor (assemelhando-se bastante com os hábitos Lupinos). Não possuem refúgios próprios e dificilmente ficam em alguma cidade por um longo período. São nômades. Também são um dos clãs que mais se assemelha aos clássicos vampiros (alguns possuem a habilidade da transmutação, podendo adiquirir a forma de morcegos ou lobos). Seus costumes são extremamente parecidos com os do povo "Rom" (Ciganos). Dizem que os Gangrel podem até possuir alguma aliança com os Lupinos. Sua principal disciplina é a Metamorfose.

Nosferatu

São os rejeitados pelo mundo. Os Nosferatu possuem aparência assustadora, mas sua união é algo de muita grandeza. Eles retêm as maiores redes de informação de toda a Camarilla. Seu habitat natural são os subterrâneos da cidade, que eles conhecem como a palma de sua pobre mão. Por terem uma aparência repugnante, sua principal disciplina é a Ofuscação.

Fonte: http://br.geocities.com/arquivoxnews/esqueleto.htm
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Lilith

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Lilith (לילית em hebraico) é referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão, sendo que em uma passagem (Patai81:455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido. No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa, chegando depois a ser descrita como um demônio.

De acordo com certas interpretações da criação humana em Gênesis, no Antigo Testamento, reconhecendo que havia sido criada por Deus com a mesma matéria prima, Lilith rebelou-se, recusando-se a ficar sempre em baixo durante as suas relações sexuais. Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilith foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal.

Assim dizia Lilith: ‘‘Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.’’ Quando reclamou de sua condição a Deus, ele retrucou que essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher, dessa forma abandonou o Éden.

Três anjos foram enviados em seu encalço, porém ela se recusou a voltar. Juntou-se aos anjos caídos onde se casou com Samael que tentou Eva ao passo que Lilith Tentou a Adão os fazendo cometer adultério. Desde então o homem foi expulso do paraíso e Lilith tentaria destruir a humanidade, filhos do adultério de Adão com Eva, pois mesmo abandonando seu marido ela não aceitava sua segunda mulher. Ela então perseguiria os homens, principalmente os adúlteros, crianças e recém casados para se vingar.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu aos poucos sua representatividade e foi limada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão ela é criada novamente, sendo a primeira criação referente na verdade a Lilith no Gênesis.

No período medieval ela era ainda muito citada entre as superstições de camponeses, como deixar um amuleto com o nome dos 3 anjos que a perseguiram para fora do Éden, Sanvi, Sansavi e Samangelaf para que ela não o matasse, assim como acordar o marido que sorrisse durante o sono, pois ele estaria sendo seduzido por Lilith.

A imagem de Lilith, sob o nome Lilitu, apareceu primeiramente representando uma categoria de demônios ou espíritos de ventos e tormentas na Suméria por volta de 3000 A.E.C. Muitos estudiosos atribuem a origem do nome fonético Lilith por volta de 700 A.E.C.

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que originou na antiga Mesopotâmia. Era associada ao vento e, pensava-se, por isso, que ela era portadora de mal-estares, doenças e mesmo da morte. Porém algumas vezes ela se utilizaria da água como uma espécie de portal para o seu mundo. Também nas escrituras hebraicas (Talmud e Midrash) ela é referida como uma espécie de demônio.

Talvez dada a sua longa associação à noite, surge sem quaisquer precedentes a denominação screech owl, ou seja, como coruja, na famosa tradução inglesa da bíblia, na Bíblia KJV ou King James Version. Alí está escrito, em Isaías 34:14 que ... the screech owl also shall rest there. É preciso salientar, comparativamente, que na renomada versão em língua portuguesa da bíblia, isto é, na tradução de João Ferreira de Almeida, esta passagem relata que ... os animais noturnos ali pousarão, não havendo menção da coruja[1], como é freqüentemente, muito embora erroneamente, citado no Brasil (tratando-se de um claro exemplo da forte influência da cultura anglo-saxã no mundo lusófono atual).

Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas. No fictício Livro de Nod, é também conhecida como Deusa da Lua, aquela que ensina Caim habilidades vampíricas, a que é tão antiga quanto o proprio Deus criador do céu e da terra.

A imagem mais conhecida que temos dela é a imagem que nos foi dada pela cultura hebraica, uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido à servidão na Babilônia, onde Lilith era cultuada, é bem provável que viam Lilith como um símbolo de algo negativo. Vemos assim a transformação de Lilith no modelo hebraico de demônio. Assim surgiu as lendas vampíricas, Lilith tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e íncubus quando homens, ou simplesmente lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos, seriam os geradores das poluções noturnas. Mas uma vez possuído por um súcubus dificilmente um homem saía com vida.

Há certas particularidades interessantes nos ataques de Lilith, como o aberto esmagador sobre o peito, uma vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão, e sua habilidade de cortar o pênis com a vagina segundo os relatos católicos medievais. Ao mesmo tempo que ela representa a liberdade sexual feminina, também representa a castração masculina.

Pensa-se que o Relevo Burney (ver alusões à coruja na reprodução do Relêvo de Burney, nesta página), um relevo sumério, represente Lilith; muitos acreditam também que há uma relação entre Lilith e Inanna, deusa suméria da guerra e do prazer sexual.

Algumas vezes Lilith é associada com a deusa grega Hécate, "A mulher escarlate", um demônio que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Hécate, assim como Lilith, representa na cultura grega a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.

Nos dois últimos séculos a imagem de Lilith começou a passar por uma remarcável transformação em certos círculos intelectuais seculares europeus, por exemplo, na literatura e nas artes, quando os românticos passaram a se ater mais a imagem sensual e sedutora de Lilith (ver a reprodução do quadro Lilith de John Collier, pintada em 1892), e aos seus atributos considerados impossíveis de serem obtidos, em um contraste radical à sua tradicional imagem demoníaca, noturna, devoradora de crianças, causadora pragas, depravação, homossexualidade e vampirismo (ver texto gnóstico na seção de links externos). Podendo ser citados também os nomes de Johann Wolfgang von Goethe, John Keats, Robert Browning, Dante Gabriel Rossetti, John Collier, etc...Lilith também é considerda um dos Arquidemônios símbolo da vaidade.
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Sexta - Feira 13

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Por que a sexta-feira 13 é considerada um dia de má sorte?

Na América do Norte e na Europa, uma parcela significativa da população se comporta de maneira estranha em sextas-feiras 13. Nesse dia, essas pessoas não entram em aviões, não dão festas, não se candidatam a empregos, não se casam, nem iniciam um novo projeto. Algumas dessas pessoas nem vão trabalhar. Nos Estados Unidos, cerca de 8% da população tem medo da sexta-feira 13, uma condição conhecida como parasquavedequatriafobia. A "sexta-feira 13", como conhecemos, está enraizada em muitas tradições e culturas.

A superstição acerca da sexta-feira 13 é na verdade uma combinação de dois medos separados: o medo do número 13, chamado triskaidekafobia, e o medo de sextas-feiras. A fonte mais familiar de ambas as fobias é a teologia cristã. O treze é significativo para os cristãos porque é o número de pessoas que estavam presentes na última ceia (Jesus e seus 12 apóstolos). Judas, o apóstolo que traiu Jesus, foi o décimo terceiro a chegar.

Os cristãos, tradicionalmente, têm mais cautela com as sextas-feiras por Jesus ter sido crucificado nesse dia. Além disso, alguns teólogos dizem que Adão e Eva comeram o fruto proibido em uma sexta-feira, e que o grande dilúvio começou em uma sexta-feira. No passado, muitos cristãos não iniciavam nenhum novo projeto ou viagem em uma sexta-feira, por medo de que o esforço fosse condenado desde o princípio.

Os marinheiros eram particularmente supersticiosos nesse sentido e costumavam recusar-se a embarcar em sextas-feiras. De acordo com uma lenda, no século 18, a Marinha Britânica comissionou um navio chamado H.M.S. Friday (sexta-feira em inglês) com a intenção de suprimir a superstição. A marinha selecionou a tripulação em uma sexta-feira, lançou o navio em uma sexta-feira e até escolheu um homem chamado James Friday para ser o capitão do navio. E assim, em uma manhã de sexta-feira, o navio partiu em sua primeira viagem - e desapareceu para sempre.

Alguns historiadores culpam a desconfiança dos cristãos com as sextas-feiras em oposição geral às religiões pagãs. A sexta-feira recebeu seu nome em inglês em homenagem a Frigg, a deusa nórdica do amor e do sexo. Essa forte figura feminina, de acordo com os historiadores, representava uma ameaça ao cristianismo, que era dominado por homens. Para combater sua influência, a igreja cristã a caracterizou como uma bruxa, difamando o dia que a homenageava. Essa caracterização também pode ter tido um papel no medo do número 13. Foi dito que Frigg se uniria a uma convenção de bruxas, normalmente um grupo de 12, totalizando 13. Uma tradição cristã semelhante considera o 13 amaldiçoado por significar a reunião de 12 bruxas e o diabo.

Alguns ligam a infâmia do número 13 à cultura nórdica antiga. Na mitologia nórdica, o amado herói Balder foi morto em um banquete com o deus do mal Loki, que se infiltrou em uma festa de 12, totalizando um grupo de 13. Essa história, bem como a história da Santa Ceia, levam a uma das mais fortes conotações do número 13. Nunca se deve sentar-se à mesa em um grupo de 13.

Outra parte significativa da lenda da sexta-feira 13 é a sexta-feira 13 particularmente ruim ocorrida na idade média. Em uma sexta-feira 13 de 1306, o Rei Filipe da França queimou os reverenciados cavaleiros templários, marcando a ocasião como um dia do mal.

Algumas pessoas adquirem o medo da sexta-feira 13 por causa de má sorte que tiveram nesse dia no passado. Se você se envolver em um acidente de carro em uma sexta-feira 13, ou perder sua carteira, o dia ficará marcado para você. Mas se pensarmos bem, coisas ruins (como derramar o café ou problemas mais sérios) ocorrem todos os dias, portanto, se você procurar por má sorte em uma sexta-feira 13, você provavelmente encontrará.

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