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quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Mosteiro de Satanás

19:10 0

1952, quinta feira, dia 23 de dezembro. Leonel sai de casa para passar o natal com a família no Rio de Janeiro. Nas estradas mineiras chovia como ele nunca tinha visto antes. Sozinho no carro Leonel sentiu um calafrio como se estivesse prestes a morrer. Na mesma hora ele parou o carro. Começou a sentir febre e a suar frio. Na estrada não passava um veículo e a chuva tinha apertado mais. Quase cego com a tempestade Leonel avista uma luminosidade não muito longe dali. Caminhando com dificuldade o pobre homem chega até o portão do que parecia ser um mosteiro franciscano . Ele bate na porta e grita por ajuda mas desmaia antes dela chegar.
Leonel acorda com muita dor de cabeça em um quarto escuro. Ele estava deitado numa cama simples e pela janela podia ver que a chuva não havia reduzido. Quando tentou levantar-se da cama a porta se abre e um homem alto vestido de monge entra no quarto. "Você deve deixar o mosteiro imediatamente." falou, com uma voz preocupada. "Estou doente, não podem me mandar embora deste jeito, por favor deixe-me ficar.", agonizou Leonel quase chorando. O monge não disse mais nada e se retirou do recinto. Preocupado em ter que ir embora Leonel se levanta e sai do quarto sorrateiramente. O lugar mais parecia um calabouço medieval. O coitado não sabia o que fazer. Por instinto Leonel  desce as escadas da masmorra. Uma voz o chama. Ela vem de uma cela, a porta está trancada e pela pequena grade um homem magro de cavanhaque conversa com Leonel. "Amigo, você precisa me ajudar. Esses monges me prenderam aqui e me torturam quase diariamente. E eles farão isso com você também se não fugirmos logo. Por fa..."Antes do sujeito concluir o monge alto grita com Leonel. "Saia daí!!!" agarrando-o pelo braço o monge arrasta o enfermo rapaz escada acima. O pobre Leonel não tinha forças para reagir e foi levado facilmente.
Já em uma sala gigantesca repleta de monges Leonel se vê como um réu sendo julgado. O franciscano que parecia o líder falou. "Rapaz, você deve ir embora imediatamente. Foi um erro nosso tê-lo deixado entrar aqui. Sabemos do seu estado de saúde mas não podemos deixá-lo ficar". Leonel mal ouviu o homem e desmaiou novamente. O infeliz viajante acorda mais uma vez na masmorra. A porta do quarto estava aberta e Leonel sai a procura do homem que estava preso no andar de baixo. Sem vigília, ele consegue chegar até a cela do magrelo. Mal se aproxima e Leonel é surpreendido com o sujeito na pequena grade já pedindo ajuda. “Por favor, me tire daqui. Eles vão nos torturar, eles são de uma seita malígna. São adoradores de Satanás.” Tremendo como uma vara verde em dia de chuva, Leonel corre até um pequeno depósito em busca de uma ferramenta capaz de abrir a cela. Minutos depois ele retorna com um imenso pé de cabra. Com um pouco de esforço a porta é arrombada. O sujeito magro sai correndo da cela e rindo como se uma piada hilária tivesse acabada de ter sido contada. Sem saber do que se tratava, Leonel corre também, mas dá de cara com um monge de quase dois metros de altura. “ O que você acaba de fazer, maldito?!” Rugiu o franciscano. “Me solte! Me solte seu filho de Satanás!” Gritava Leonel tentando se soltar do agarrão  do monge. Com um olhar de temor e raiva o homem alto encara o pobre Leonel... “Você não sabe o que fez... sua vida está condenada agora. Você acaba de libertar o próprio Satanás. E ele fará de você o seu servo predileto. Sua alma será dele”. Logo após o monge ter terminado de falar Leonel dá um grito de pavor... seu último grito de pavor. Naquele instante o pobre e inocente viajante acaba de ter um fulminante ataque cardíaco que levou sua alma literalmente para  os quintos dos Infernos, ao lado do, agora, seu eterno mestre, Satanás.

WAZIGO

Fonte: Necrose
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Os Rutilantes

18:47 0

Era tarde. Passava das três horas da manhã. Enquanto Cleide retornava do banheiro percebeu uma iluminação pelas frestas da porta da sala. Correu ao quarto a fim de despertar o marido. A luz não se estagnava na porta. Passava lentamente pelas janelas e pela porta outra vez. Alguém, com uma lanterna, parecia circundar a pequenina casa. A varanda não possuía nenhuma luz. Isso não trouxe boas interpretações a ela que ao virar-se, já em seu quarto, apavorou-se ao olhar o rosto de sua filha maquiado por uma lúgubre réstia da porta.

— Eu os vi pelo buraco da fechadura. São magros, rápidos e medonhos, pois brilham na escuridão. Eles têm tentáculos no crânio, perto das orelhas. Suas cabeças são obovais. Seus olhos, brilhantes, não denotam boas intenções. – resumiu a menina que tinha o rosto à sombra.

A adolescente estava excitada com a celeuma que se iniciara devido a chegada das luzes brilhantes que rodeavam a pequena casa.

— Menina, quem ordenou a você fazer isso? Eu sou seu pai e mando em você.

— Eu apenas os olhei, pai. – Disse a menina que tinha dezessete anos e chamava-se Vilma. Ela estava num torpor aterrador.

Os três estavam numa casa distante do centro de uma pequenina cidade do interior fluminense. Vinte quilômetros separavam aquela simples casa, de telhas francesas, de outra mais ao norte. Os cômodos eram separados por paredes altas, mas incompletas. A casa não possuía foro no teto.

Sérgio abriu o armário e armou-se de um rifle com cano duplo. Depois os três seguiram para a sala. A menina aos empurrões. Numa ação investigativa, Cleide deu um grito quando avistou uma das criaturas. O ser apareceu, brilhante, depois que ela abriu o vidro da janela lentamente. Da escuridão da varanda havia surgido um rosto com tentáculos balouçantes que emanavam uma luz de matiz jamais vista por um ser humano. Uma cor inclassificável. Numa intensidade chamejante.

— Ah! – Um grito de horror e ela empurrou a babinela, trincando o vidro.

— O que foi? – Perguntou Sérgio, que estava, de cabeça baixa carregando a arma.

— Também acabei de ver um. Era horrível. Tinha cobras brilhantes que moviam-se em suas orelhas. Era um vulto de uma coloração estranha. Eu nunca vi aquela cor. Nunca vi. Oh meu Deus. Eu jamais vi aquela cor horrível.

— Sai da frente. – Ordenou o homem que posicionou os canos da arma no babinela e puxou o gatilho. O som ecoou pela casa, reverberou no teto e voltou, deixando os adultos apavorados.

O lado de fora continuou silente após o tiro.

— Será que você o acertou? – Questionou a esposa.

— Que eles não nos ouçam, mas são ignóbeis e espertos. – Concluiu a menina.

— O que sabe sobre essas coisas, sua xereta?

— Eles estão aqui antes de nós. Antes de todos nós. Têm algo que o humano sempre sonhou: a invisibilidade, que para eles não é de grande valia. Pois só são perigosos na escuridão... – A conversa foi interrompida por sons oriundos do telhado.

— Deus. Estão no telhado. – Gritou Cleide em pânico.

— Sim. Já, já eles... – a pausa na fala da menina pareceu demorar uma eternidade e assustou os adultos – irão entrar. – Profetizou a jovem.

— Se você não fosse minha filha eu atiraria em você. Poderia jurar que você é um deles. Como sabe isso tudo? – Indagou o pai com o rifle apontado para a menina.

— Foram contatos oníricos. Começou com um terrível pesadelo. Mas agora é um sonho. – Relatou a adolescente, lacônica.

O chefe da família apontou o rifle para o teto, mas foi interrompido pela esposa.

— Shhh! Ouçam. Está tudo quieto demais.- Segundos depois Cleide tornou a gritar ao ver uma telha sendo retirada do lugar, deixando um buraco no teto que mostrava um pedaço do céu noturno. Um céu nublado com nuvens rosadas.

— Olhe o telhado, Sérgio. Abriram o telhado. Atire neles. Mate-os. – A esposa berrava de horror.

— Merda. – A arma bailou, um pouco, em suas mãos, mas ele atirou duas vezes pelo buraco destelhado. Não atingiu nada.

— Será que já entraram? Vou procurá-los nos quartos e já volto.

— Não. – Gritou a esposa. Mas o homem a ignorou e partiu. Voltou em alguns minutos.

— Não estão aqui. Ouviram os tiros e correram com medo. Tiveram medo de levarem chumbo.

A menina sentou-se na cadeira com um sorriso estranho. Ficou perto do interruptor de luz. Com uma fleuma medonha, entoou uma canção assustadora que parecia ser uma profecia em forma de música.

Eles são antigos,

Não são amigos

E Louvam o mal

Apague a luz e verás;

São apavorantes. Eles são os rutilantes...

Não completou a frase. Apagou a luz e silhuetas brilhantes e de cores estranhas habitavam a sala. O horror fez a mulher berrar, outra vez, histérica. Seu grito misturou-se a voz de Vilma, que tornou a cantar a lúgubre letra seguida por uma melodia apavorante a qual parecia emanar das luzes que contornavam os seres, e foi abafado depois que uma silhueta moveu-se rápido ao seu encontro. Somente um baque surdo tornou-se audível. Algo sendo quebrado. Talvez um pescoço. Sérgio engatilhou o rifle e disparou várias vezes em direção a cor que calou sua esposa. Vilma ria loucamente sobre a cadeira e gritava “Só aparecem na escuridão. Só os vemos na escuridão. Não fiquem na escuridão com eles.”. Depois que a arma do homem caiu ao chão, ele urrou de dor. Havia duas silhuetas imensas perto de dele que balançavam em movimentos decididos.

Vilma calou-se quando reacendeu a luz incandescente da sala. Reparou no corpo de sua mãe, com vários orifícios feitos pelos projéteis saídos do rifle, que tinha o rosto virado quase totalmente para trás numa cena tétrica. Ao lado um amontoado de carne misturado a roupas. A jovem percebera que aquilo, a poucos minutos, fora seu pai. Caminhou até o centro do cômodo e falou enquanto olhava ao redor. Com olhos investigativos e trêmulos.

— Pronto. Agora quero ser uma de vocês. Levem-me daqui. Levem-me desta vida inoportuna.

Então ela assustou-se quando escutou a lâmpada quebrar-se e a escuridão a engoliu como um tubarão engole um pequeno peixe. Vilma não estava preparada para aquele momento caliginoso. Estava rodeada dos seres brilhantes com tentáculos tremeluzentes. Um deles introduziu um tentáculo fosforescente no ouvido da jovem com uma rapidez estupenda que a impediu de qualquer reação. Tocou, com as ventosas malignas, seu cérebro. A extrema dor que sentiu, a fez zumbrir-se. Os fluídos que deixavam seu corpo, via tentáculo, faziam pulsar a horrível cor que chamejava do rutilante. Por fim, tornaram-na um zumbi que passou a lucilar, pelos olhos, a mesma cor indescritível. Mas Vilma tinha uma bizarra diferença. Poderia ser vista na claridade. Era visível.

Nisto a criatura-zumbi, após um pigarro assustador, exclamou de dentro da escuridão com uma voz apavorante:

— Vamos para o norte. A vinte quilômetros daqui existe outra casa.

Um rutilante saiu de sua frente e deu passagem ao zumbi que foi à cozinha, caminhando na escuridão. Eles seguiram-na numa procissão maligna. Lá, ela acendeu um candeeiro. Tinha um rosto macilento na claridade. Abriu as tramelas da porta lentamente e pôs-se a caminhar para o norte. Meia hora mais tarde, iluminada pela fraca luz do lume que carregava, escutou o som de um veículo se aproximando. Percebeu a iluminação dos faróis. Quando o carro encostou ao seu lado, levantando poeira, ela constatou, sem qualquer reação, que era uma viatura da polícia estadual. O policial a inquiriu sobre o que pretendia fazer naquele lugar ermo àquela hora da madrugada e se estava tudo bem. A jovem pediu para que os policiais desligassem os faróis. Mentiu, astutamente, dizendo que havia um bandido escondido atrás de uma moita perto da cerca de arame farpado. Os policiais pegaram duas lanternas, desligaram os faróis, sacaram as armas, desceram lentamente do veículo e perceberam quando ela quebrou o candeeiro na lataria do carro de polícia, deixando-os na mais profunda escuridão. Apontaram a arma para os dois olhos brilhantes da jovem, mas quando a ouviram cantar, em voz baixa, estagnaram-se de horror.

Eles são antigos,

Não são amigos

E Louvam o mal

Apague a luz e verás;

São apavorantes.

Eles são os rutilantes...

Foi pelo vidro traseiro da viatura que um dos policiais viu os contornos, de cores inenarráveis, bailando num crânio oboval, orlado com membros tentaculiformes. O homem girou-se, tentando surpreender o que quer que fosse, mas antes de findar o movimento já estava morto. O grito do outro policial denotou muita dor na hora da morte. A menina-zumbi ficou extática a olhar as estranhas cores moverem-se rápidas e cruéis, durante o ataque. Em seguida pegou uma das lanternas no chão e continuou seu caminho. Então, as primeiras gotas de chuva começaram a cair.

A sorte dos moradores daquela casa, mais ao norte, era que em poucos minutos amanheceria. Contudo essa sorte estaria fadada ao término. Pois o dia não duraria para sempre.

Autor: Luciano Barreto

 
 
 

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A Casa dos Demônios

18:40 0

Os Stvesons eram uma família perfeita...., tudo ia bem. O pai e chefe da família era o Sr.Richard, um homem severo, e disciplinado que às vezes se irritava a toa. A mãe a Sra.Melissa era um exelente dona de casa, que se dedicava muito à famíla e estava sempre disposta a ajudar seus filhos (1 homem e 2 mulheres). O mais velho era o Michael (18 anos), a do meio era a Janie (16 anos), e por fim estava a caçula Marie (8 anos).      O pai havia sido promovido a um cargo maior na empresa em que trabalhava, sendo assim passou a ganhar mais. Compraram com o dinheiro suado que economizaram por muito tempo uma casa bábara e enorme. Porém eles não haviam sido avisados por ninguém sobre as coisas estranhas que aconteciam por ali. O dia da mudança foi agitado. Muita coisa para descarregar e guardar, e estavam todos adorando, mas Michael estava achando algo de estranho naquela casa sinistra e antiga. Ele sentiu uma sençação estranha que nunca havia sentido antes, e ficou mais assustado ainda quando olhou para o alto e viu na janela do sótão um rosto que ele nunca havia visto antes... olhando fixamente para ele, seu espanto é quebrado quando ouvi seu pai o chamando, ele vira o rosto, e quando olha novamente aquela figura sumira dali.      Ele corre para ver o que estava acontecendo, e encontra seu pai irritado por não conseguir abrir as janelas mas quando vê elas estão pregadas. O primeiro jantar da família foi perturbado todos não paravam de discutir na mesa, paracia que estavam sendo influenciados por alguma coisa. Derrepente a briga é interrompida por um terremoto que faz  o espelho que estava no móvel perto da mesa cair. Com toda a força ele cai no chão e por incrível que pareça permanece intacto, a Sra Melissa se levanta para apanhar o espelho e diz: - Nossa!! Nem quebrou..., e o coloca no lugar mas logo após alguns segundos ele misteriosamente trinca-se.      A vida daquela família perfeita estava se transformando num verdadeiro inferno, coisas sumiam derrepente, e ruídos estranhos eram ouvidos constantemente, principalmente à noite. É claro que eles percebiam o que estava acontecendo, mas ninguém jamis poderia imaginar que tudo aquilo acontecia por influência de espíritos maléficos, almas que fizeram mal quando vivos ou não conseguem ser aceitos por espíritos bons.      A mãe começou a desconfiar do que estava ocorrendo e chamou um padre. O pobre homem logo que entrou na casa já sentiu o ambiente pesado que estava ali, e sentiu-se mal. Ele havia deixado sua bíblia no carro, por tanto tinha que voltar para pegá-la, mas quando voltou para ver ela estava misteriosamente destroçada, rasgada, por uma força descomunal capaz de conseguir rasgar uma capa dura como aquela. Ele não pensou duaz vezes... era preciso exorcisar aquela casa, mas precisa de autorização para fazê-lo, por tanto até o dia seguinte ele espalhou crucificsos pela casa. Já de manhã quando todos acordam encontram todos os crucifcsos que estavam espalhados pela casa todos cobertos por lençóis.      No dia seguinte o padre chega na casa para exorcisa-la, ele começa o ritual e imediatamente a casa toda começa a tremer, ouvem-se ruídos estranhos como nunca havia-se ouvido, os livros começam a cair, o lustre despenca do teto, a geladeira começa abrir e fechar... um barulho ensurdesedor toma conta de todos, e um cheiro horível paira no ar. Todos ficam muito assustados e apavorados. Esse inferno durou cerca se um minuto até que pará e um silêncio frustrante toma conta do ambiente da casa.      Tudo havia acabado... aquele inferno que a família passara tinha acabado, mas ninguém queria morar num lugar onde coisas como aquelas tinham acontecido, pois afinal eles ainda tinham medo que os espíritos voltassem. Portanto venderam a casa e decidiram se mudar, compraram uma casa menor mas pelo menos era segura e o mais incrível de tudo era que após um mês os novos moradores daquela casa que venderam não haviam se queixado de nada de estranho. Tudo parecia normal para os Stevensons, até que coisas estranhas comom aquelas logo começaram a surgir na nova casa.... foi aí que perceberam que aquelaes espíritos não estavam assombrando e perturbando aquela casa.... eles estavam assombrando aquela família.. a família Stevensons, eles teriam que conviver com isso por toda a eternidade, até o dia em que morressem.

Fonte: Clique Aqui

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Um conto de halloween em São Paulo

18:29 0

Josué nunca achou muita graça no halloween. Uma festa americana, com tradições que ele desconhecia e que não tinha o menor sentido, já que no calor do Brasil sair vestido de preto e pedir doces pelas casas era ridículo. Se ninguém abriria a porta para um jovem vestido de caveira, imagine conseguir bater em portas de apartamentos?
Era meia noite. Dia 31 de outubro, Josué estava em casa assistindo filmes de terror para entrar no seu clima pessoal de halloween. As 00:06 um vulto passa pela porta da sala. Acreditando ser apenas imaginação, Josué continua a assistir seu filme.
Dez minutos depois, um cheiro de fumo toma conta da sua sala. Estaria vindo da janela? Afinal, morando no décimo quinto andar, o cheiro pode vir da sacada de alguém. Josué coloca a cabeça para fora da janela. Só encontra silêncio e cheiro de dama da noite.
Ao voltar para o sofá, ele toma um susto. Uma figura toda peluda, com o couro cabeludo raspado, brilhando sangue estava sentada em seu lugar. Ela tinha olhos avermelhados, fumava um cachimbo e não tinha a perna direita.
- Calma, meu filho - Diz a criatura.
- Quem é você?
- Você não deve saber meu nome, mas deve me conhecer por Saci.
- Ha ha ha! Que bobagem! Saci não existe, muito menos isso que estou vendo. Devo estar sonhando.
- Será? Perguntou a criatura.
Rapidamente, o ser peludo pulou do sofá e saiu em direção a cozinha. Pegou o pequeno cachorro poodle da família e arrancou sua cabeça com a boca. Com o corpo do cachorro ensangüentados nas mãos, o Saci escreveu na parede: A lenda do Saci ainda vive!
O rapaz entra em desespero e com muita raiva, avança na criatura. Achando ser algum maníaco ou psicopata, ele dá uma chave de braços no pescoço do ser. Dá para ouvir os ossos do Saci se partindo, enquanto seu corpo amolece.
Ainda perturbado com a cena, Josué tenta procurar ajuda. Ele corre pela casa, mas está sozinho. O telefone está mudo e seu celular sem sinal. Algo estranho está acontecendo.
Seu braço começa a formigar. Uma ferida produzida por uma mordida da criatura se espalha pelo seu corpo. O rapaz é tomado por muito calor. Em um ato de desespero, ele rasga suas próprias roupas, ficando apenas de bermuda pela casa.
Sua face fica desfigurada. Ele está se transformando no monstro que ele havia acabado de matar. Não queria se tornar essa desgraça e atormentar outras pessoas.
Desesperado, ele tenta se matar. Pega um saco plástico vermelho e coloca em sua cabeça, procurando se asfixiar. A demora em perder o fôlego o leva até o fogão. Josué, ou o que era ele antes, acende o gás para tentar explodir seu corpo.
Ele acende o fogão. Uma labareda acerta seu corpo, agora todo peludo e começa a pegar fogo. Em um ato de desespero final, com o corpo em chamas, Josué tenta pular da janela.
Ao se jogar, ele fica com metade do corpo para fora. Uma das suas pernas fica presa por algo dentro do apartamento. Era o Saci, que ainda vivo o segurava por uma perna.
Com a casa em chamas, o plástico vermelho derretendo em sua cabeça e com o corpo quase carbonizado, Josué ainda escuta as últimas palavras do Saci:
- A lenda do Saci ainda vive!
O Saci tira o cachimbo se sua boca e crava no queixo de Josué. Em seguida começa a roer sua perna direita, que é decepada de seu corpo, liberando o jovem para uma queda de quinze andares.
O corpo de Josué cai já sem vida ao cair no gramado do condomínio, os bombeiros já estavam chegando para apagar o incêndio do apartamento. Lá dentro, encontraram apenas um cachorro carbonizado, mas não decapitado.
Com seu corpo totalmente carbonizado, um cachimbo na boca, um gorro plástico vermelho na cabeça e sem a perna direita, Josué ficou conhecido como o Saci da Mooca. Depois desse halloween, as pessoas do bairro nunca mais ficaram em suas casas na virada do dia 31 de outubro.

por Reinaldo Ferraz

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sábado, 8 de maio de 2010

S.O.S (Save Our Souls)

13:55 0
Era começo de madrugada na subida da serra de Petrópolis e o carro seguia lentamente pelas curvas fechadas e beiradas dos vários abismos desse trecho da BR-040 que liga a Capital do Brasil ao Rio de Janeiro. Metade da visão que Jeremias tinha era negra, representada pelo asfalto frio e liso e a outra metade era cinza claro representada pelo nevoeiro e a chuva fina iluminada pelos poderoso faróis de sua caminhonete F-1000.

A viagem era solitária. Jeremias voltava do Rio de Janeiro para Juiz de Fora e não querendo passar mais nenhum dia longe de casa, pegou a estrada logo depois do jantar de negócios que o reteve até as 00 horas. A vigem estava atrasada devido ao cansaço de Jeremias e pelas condições de viagem. Seus olhos não desviavam os olhas da estrada pois qualquer descuido poderia ser fatal. Seu rádio estava mudo, talvez pelo mal tempo ou talvez por causas das montanhas da região. Jeremias tentava relaxar cantando uma pequena canção dessas que todos conhecemos. Ele já tinha feito essa viagem centenas de vezes e em condições piores, mas dessa vez algo estava estranho. Parecia que sua adrenalina estava pronta para explodir e que a qualquer momento iria acontecer alguma coisa.

Mesmo sentindo que algo de estranho estava para acontecer, seu coração quase parou quando viu no meio da estrada um vulto branco de formato humano com os braços abertos acenando vigorosamente. Jeremias experimentou um sentimento de pânico com a imagem mas logo viu que se tratava de alguém pedindo ajuda. Jeremias diminuiu a velocidade do carro e viu com detalhes o vulto assim que ele entrou na área iluminada pelos faróis.

A visão foi assustadora. Era uma mulher em trajes brancos e longos. Sua face demonstrava terror e desespero. Seus cabelos terrivelmente desarrumados, sua face pálida como leite a e olhos arregalados eram mais notáveis que as grande manchas de sangue que estavam pelo corpo e na cabeça. A mulher gritava por socorro sem parar. Jeremias ficou paralisado por alguns instantes quando viu aquele quadro tão assustador mas conseguiu respirar fundo e abaixou o vidro do carro. A mulher se arrastava pela lateral do carro gritando e chorando, mas sem conseguir organizar suas palavras. Ela estava em estado de choque.

Jeremias também estava em choque. A mulher parecia um fantasma. Nunca vira uma pessoas em estado tão deplorável. Ele ligou as luzes de alerta da caminhonete e saiu com uma lanterna. A mulher não olhava em seu rosto mas colocava as mãos na cabeça e gritava sem cessar. Jeremias tentava falar com a mulher mas não conseguia resposta. Olhou em volta e reparou numa parte da proteção lateral da estrada completamente destruída. Também conseguiu ver marcas de pneu indo em direção ao local e mato amassado. Jeremias compreendeu no mesmo instante que ali alguém acabar de sofrer um terrível acidente. Correu até a curva e viu no meio da grota que se formava duas pequenas luzes que logo notou serem da traseira de um carro e um grande clarão mais ao fundo do matagal pois os faróis dianteiros também estavam acesos. Se aproximou um pouco no meio da mata e apesar da escuridão, pode notar que um Monza estava com as rodas para cima e bastante danificado.

Quando Jeremias olhou para a parte que seria a cabine do Monza, um calafrio percorreu todo o seu corpo e seria impossível relatar em palavras o pavor e o espanto que Jeremias sentiu quando viu que um segundo corpo de mulher estava dentro no carro destruído. Mas o mais pavoroso de tudo foi constatar que aquele corpo era exatamente o mesmo que estava ao seu lado pedindo ajuda.

Fonte: assustador.com.br
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Não durma!

13:53 0
Samira sempre teve pesadelos. Sempre. Moradora de Israel, ela achava que as guerras freqüentes em seu país fossem a razão deles. Porém, aos catorze anos, ela se mudou para Londres. E foi então que os pesadelos começaram a ficar piores. Toda noite, assim que fechava os olhos, uma criatura lhe aparecia em sua cabeça. Era de forma humana, mas completamente careca, não tinha olhos e sua boca estava costurada em um pavoroso sorriso. Era o seu guia; um dos muitos daquele lugar. E por incrível que pareça, era quem lhe fazia se sentir segura quando caminhava pela terra assustadora dos pesadelos.

A terra era cheia de gritos, horrores e ranger de dentes. Demônios sorriam enquanto espancavam pessoas. Havia cidades, como as nossas, destruídas, onde havia gente ferida correndo e implorando por suas vidas. E pior de tudo, havia o palhaço que dançava e parecia ser o único a se divertir de verdade naquela terra.

Era um palhaço incomum, é verdade. Tinha pernas de bode e a cara pintada como os palhaços.

- Eles vêm pra cá, por que merecem estar aqui – dizia ele à Samira – Mas você não merece estar aqui. Não quer vir pra cá, então não durma!

Samira sempre acordava em prantos. Freqüentou os melhores psicólogos, participou das melhores terapias, mas nada a impedia de ver seu guia e o palhaço quando dormia. Aquilo a apavorava e causou seus problemas de relacionamento. Era uma pessoa tristonha, que quase não se comunicava e estava sempre na companhia de remédios que a mantivesse acordada. Não valiam muito.

Certa noite dormiu e voltou a seguir seu guia.

- Por que sempre está rindo, se não é feliz? – perguntou ela.

O guia virou sua cara sem olhos para ela, mas nada falou. Era impossível para ele falar. Voltaram a andar no meio do caos, mas, poucos minutos depois, o guia desapareceu.

- Cadê você?

Novamente, não houve resposta. Ela começou a andar, chorando, pois tinha medo. Muito medo. Queria acordar, dizia a si mesma que era apenas um sonho, mas não conseguia acordar.

Ouviu passos. Toc, toc, toc, no asfalto da rua por onde andava. Cascos. Logo o palhaço com pernas de bode apareceu. E ria.

- Boa notícia – disse ele – Você merece vir pra cá. Vou te levar pra um passeio comigo pela minha terra.

Mas Samira correu. Seus cabelos negros e lisos voavam na noite enquanto o toc toc dos cascos a seguia. E ele assobiava, e ria, e chamava seu nome. Até que, cansada, ela caiu. O palhaço então se aproximou, gargalhando.

- Deixe-me ver esses braços.

Com suas unhas, ele cortou os dois pulsos da menina.

- Pra você vir mais rápido, amorzinho. Você tem uma missão, merece vir pra cá.

Ao ver aquele sangue escorrendo, ela gritou. E fazendo isso, acordou.

Respirou aliviada.

Mas então viu o lençol cheio de sangue. Seus pulsos estavam cortados.

Desesperada, chamou os pais. Samira foi levada a um hospital, onde deram pontos em seus pulsos. Os ferimentos foram interpretados como tentativa de suicídio. A assistência social e a polícia interrogaram seus pais, vasculharam a casa, pois ninguém acreditava que um palhaço com pernas de bode a ferira em um pesadelo.

Samira estava decidida a não mais dormir. Não queria mais voltar àquela terra onde as pessoas sofriam, onde via vultos, espíritos que riam e demônios que se divertiam. Tudo eram sorrisos naquele mundo. E os sorrisos só vinham de quem praticava o mal, pois era divertido causar dor. Por isso ela nunca mais riu.

Samira estava mudada. Cansada, mais magra, adepta de remédios com apenas dezoito anos. Não tinha fôlego pra universidade, apesar de muito inteligente.

Certo dia viu o palhaço em sua cozinha. Estava sonhando acordada.

- Vou esfaquear seus pais – ele disse, passeando em volta do fogão – e vai ser divertido. Você tem problemas, vão colocar a culpa em você. Vai ser divertido, não vai?

Samira chorou. Subiu para o banheiro, abriu o armário de remédios e engoliu três potes de pílula. Fechou os olhos na banheira e nunca mais acordou.

Seus pais pensaram que a filha depressiva finalmente fora bem sucedida em sua tentativa de suicídio e se culparam. Mas concordaram que ela finalmente estava em paz.


Ledo engano.


Estou no mundo dos pesadelos agora, com medo. Trancado em um quarto, com alguma criatura estranha arranhando a porta na tentativa de entrar. Tenho medo. O palhaço diz que mereço estar aqui, pois vim para escrever o que vejo da minha janela.

E da minha janela vejo espíritos que brincam. Vejo mortos que andam; alguns até conhecidos meus. E vejo Samira. Ela veio me contar sua história há alguns dias agora que vaga pela terra dos pesadelos. Era bonita da primeira vez que a vi, mas depois me apareceu careca e nua pedindo que eu a ajudasse. Não podia fazer nada; expliquei que eu aparecia ali apenas quando dormia e não conseguia sair do quarto.

Alguns dias depois eu a vi sem seus olhos.

- Eu quero ver – ela gritava em pânico – preciso da luz, da luz...

Logo depois ela me apareceu novamente com a boca costurada num insano sorriso eterno. Nunca mais falou.

Mas isso faz muito tempo.

Hoje ela anda por aí, de qualquer jeito, acompanhando crianças que por alguma razão vão parar nessa terra e confiam nela como um guia. As crianças não sabem, mas confiam nela por que ela já esteve em seus lugares um dia. Mas duvido que hoje Samira se lembre de quem foi. Pra mim ela já esqueceu e se acostumou a ser mais uma criatura dessa terra terrível.

Eu quero ir embora.

Não mereço estar aqui descrevendo toda essa dor.

Só posso dar um conselho... Não durma!


Toc... Toc... Toc... Por que ele sempre tem que aparecer quando fecho os olhos?
Fim

Fonte: assustador.com.br
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O Corredor

13:48 0
Por Tânia Mara Souza

No outdoor, enquanto o cowboy fumava, as luzes de néon invadiram as cortinas vulgares. Em penumbra, no quarto abafadiço, um ventilador girava suas engrenagens corroídas quando Paulo moveu-se na cama, murmurando, preso aos sonhos. O suor escorria pelo pescoço, e ainda adormecido, passou a mão na pele pegajosa, a noite estivera abafada, e o ventilador, em sua ladainha, espalhava a poeira que os hotéis guardam com o tempo. A música vinda da rua era dolorosamente bela: — For you I'm bleeding... For you, for you…
Foi a canção que o despertou. Ainda naquele estado de sonolência, as mãos procuraram o pequeno celular embaixo do travesseiro. Abriu os olhos, e no painel azulado, viu que ainda faltavam quinze minutos para às quatro horas. Mais uma vez despertaria e seguiria viagem, deixando aquele hotel, mas ah, ah como odiava acordar antes do despertador, roubado em quinze minutos do seu sono. Virou a cabeça para o lado, olhos fechados, empurrando os lençóis para longe, tentou não pensar no dia que logo se iniciaria. Tentou não sentir a boca ácida, guardando resquícios de whisky , enjoado com o cheiro da maquiagem e do perfume oriental de alguma prostituta que lhe fizera companhia parte da noite. Vencendo a náusea, cobriu a cabeça para fugir da luz vinda da janela. A canção havia desaparecido, mas a melodia ainda ecoava.
Havia sonhado, a imagem clara sua mente, asas de borboletas, lábios que balbuciavam palavras que não podia entender. E na modorra entre o sono e a realidade, sabia que voltaria a sonhar com a menina, segurando algo não identificado e murmurando.
A cabeça moveu-se no travesseiro úmido, os sentidos entorpecidos, adormeceu. Viu-se em um corredor escuro, cercado por quartos em ruínas, e ao seu lado, as paredes grafitadas. Seus passos arrastavam-se no chão escorregadio, enquanto uma água fétida surgia fininha na parede ao lado. As cores embaçadas da madrugada envolviam a tudo, e cada penugem do seu corpo arrepiou-se, quando a canção cresceu, e ouviu seu nome em sussurros, entrecortando a melodia. Pressentiu nas sombras um vulto passando, virou-se devagar, indeciso entre correr e o medo que o paralisava, mas não havia nada, nada além uma porta entreaberta, de onde vinha um soluço, um pequeno lamento. Paulo empurrou a porta, devagar, e de repente, todos os seus membros amorteceram-se: era ela!
Estava encostada na parede, em um canto imundo, cercada por teias de aranhas, quando ele a viu. Bianca, os cabelos dourados em duas tranças e a fita solta pelos ombros. A velha angústia o envolveu, o ar faltou quando a dor tornou-se física. Sem perceber, uma lágrima começou a cair dos seus olhos. Balbuciou o nome que há muito não ousava pronunciar e os olhos amendoados ergueram-se, fitando-o sem parecer reconhecê-lo, mas os lábios cheios e rosados abriram-se, implorando:

— Socorro, por favor...

Paulo via os lábios moverem-se em um pedido mudo, ouvido dentro de si quando ela apontou com os braços finos o outro canto da sala. Ali, bem a frente de Bianca, da sua Bianca, um gigantesco escorpião branco retorcia-se. Feroz, a pele estranhamente branca, o animal possuía no ferrão uma ponta vermelha, que agitava ameaçador. O ferrão ia e vinha em direção a moça, cada vez mais perto. Paulo olhou ao redor, e em suas mãos, viu de repente um facão, e avançou aço contra carne, e quanto mais fortes eram os golpes, mais o peçonhento se debatia, os olhos arregalados e azuis explodindo em sangue. As sombras cresciam por todo lado, e gemidos finos subiam pelo ar, até que a carcaça albina jazia derrotada. Levantou os olhos, mas ela já não estava, apenas a ponta do vestido branco arrastando-se pela porta, e desesperado, ele a seguiu pelo corredor enlodado. E enfim, quando os corredores bifurcaram-se, ele a viu, esperando-lhe. Ela a sua frente, as tranças douradas, a fita azul, e a renda suave enfeitando a borda do vestido, como da primeira vez que a vira. Os mesmos olhos amendoados fitando-o, em expectativa. Ela agora em seus braços, a boca na sua, a pele, o cheiro que nunca o havia abandonado, os braços o envolveram e Paulo tremia enquanto seu corpo a prendia na parede, explodindo de ternura e paixão, tocando-a por cima do algodão, sentindo o coração batendo sob o seu peito, ele chorou. No ar, as notas espalhavam-se: — And every new dawn... ends in bitterness ...
O ventilador movia-se lentamente no quarto, e as hélices foram parando, parando, até que o silêncio sufocou as horas e Paulo acordou. Os olhos estavam úmidos, e os soluços irromperam no peito do homem. Abraçou o próprio corpo, sentindo o cheiro da pele amada, depois de tanto tempo, porque sua mente a trouxera de volta? A velha dor... amarga dor. O calor crescia, e novamente procurou o pequeno celular, os números diziam claramente: 3horas e 45 minutos. Um pesadelo, um maldito sonho. A cabeça repousou no travesseiro, aquela noite havia sido longa, sentia sede, os lábios ressecados. E ela. Ela impregnando-se em sua alma. Fechou lentamente os olhos, mais quinze minutos, e na esperança de tê-la um pouco mais, forçou o corpo a descansar novamente. Foi se deixando embalar pelo sono, e o sonho voltou. Estava de volta ao corredor escuro. Na parede, recortes de jornais manchados de sangue, letras turvas no papel embolorado impediam-no de ler.
Os sussurros agora chamavam seu nome, e as mãos tocavam o corredor escuro enquanto ele corria. Ouvia os passos leves e revia o campo onde ele e Bianca haviam corrido pela primeira vez, sonhado tantos sonhos, dançando na varanda, as faces tocando-se, ah, era a mesma melodia.
Uma porta abriu-se ao seu lado, e o mesmo lamento de antes veio de uma sala em ruínas. A menina com asas de borboleta apareceu, estendendo-lhe os braços, oferecendo-lhe algo que não podia identificar, as palavras mudas murmuradas nos lábios, mas quando um ruído feroz quebrou a mesa de vidro, ela se afastou, entristecida. Um riso áspero cortou a sala, e no outro canto, Bianca chamava por ele, implorando por socorro. O escorpião branco erguia-se, mas seus pés estavam presos no lodo imundo da sala. A agulha rubra tocou a face pálida, e Bianca gemeu quando o ferrão vermelho perfurou-lhe o peito, a ponta fina dilacerando a renda branca, rasgando a carne e o tecido até um rio rubro escorrer pelo chão, o ventre dilacerado e, horror dos horrores, um bebe chorava entre as vísceras. Paulo gritou, gritou, gritou, até acordar com o próprio grito, as imagens congelando-o na cama, o ódio tomando-lhe o peito, viu-se preso na velha angústia, revendo o casamento, a família, o bolo, a valsa, as imagens dançavam em sua mente, e ele não parava de gritar. Bianca sorrindo, Bianca no jardim, Bianca voltando do médico, Bianca caída no chão da sala, sangue por todo lugar, e desde então, uma viagem eterna por hotéis e putas decadentes, embriagando-se com whisky barato, fugindo da dor. Ao perceber que ainda gritava, Paulo tentou levantar-se, mas a dor na cabeça o impediu. O celular caído no chão marcava ainda 3horas e 45 minutos, olhou para o teto e teve a impressão de que este estava cada vez mais perto, sorveu sequioso um resto de agua mineral da garrafa caída sobre o tapete, e temendo as sombras, fechou os olhos, vendo-se de novo no corredor estreito, os gritos de Bianca chamando-o, jurando amor, pedindo, implorando por socorro, enquanto o escorpião albino balançava ferozmente o ferrão vermelho, os olhos dela nos dele, tantas palavras não ditas, a velha dor.
Via-se de novo no sonho, consciente, porém preso, hipnotizado entre o sonho e a realidade, mas ainda assim, não podia reagir, e o escorpião branco foi se aproximando, e Paulo debatia-se, os braços amarrados, sabendo sem razão que enquanto gritasse estaria salvo. Foi quando, em um canto, percebeu a menina-borboleta, entristecida, estendendo-lhe os braços. Em suas mãos, reconheceu um antigo espelho, quando Paulo viu-se refletido, o ar faltou, e num arquejo, era ele no espelho, era ele, e era o escorpião branco, era ele a fera, e o ferrão que dilacerou o ventre amado, julgando ferir uma semente que não aceitava como sua, era o dele. No rosto da menina que o fitava, reconheceu seus próprios olhos azuis, e as tranças douradas de Bianca, e finalmente entendia o que ela murmurara, em monossilábicos gemidos:
— Por que, meu pai? Por quê? Eram oito horas da manhã, quinta-feira cinzenta, quando os jornais noticiavam a execução por injeção letal. O condenado havia cometido o crime de uxoricídio. A esposa estava gravida e por milagre, a criança sobrevivera. Quatorze anos passados em silêncio aterrorizante, vários laudos depois, enfim a sentença se cumpriria. Na pequena sala, uma jovem de cabelos trançados observava, ao seu lado, um relógio parado marcava 3 horas e 45 minutos. Com olhos marejados, viu enfim a injeção letal perfurar a tatuagem de um escorpião no braço do pai. Para ela, era o fim.
No velho quarto de hotel, as luzes de neon apagaram-se quando a garota-borboleta partiu. Paulo ficou sozinho no velho corredor, ouvindo a melodia dentro de si, “for you, for you i'm bleeding” e ao longe, a voz suave de Bianca pedindo por ele. Sentindo às suas costas o escorpião branco rastejar nas sombras da eternidade, seus passos seguiram pelo corredor.

Fonte: assustador.com.br
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Vodú

13:37 0
Autor: Zé do Caixão

Um garoto de mentalidade irrequieta, assim era Jairo. Seus 13 anos pareciam ter sido dedicados a caça de problemas. Na vizinhança, na escola, todos o conheciam e ao pressentirem sua presença preparavam-se: algo com certeza ia ocorrer. Uma característica, no entanto, contrastava com a grande atividade mostrada pelo garoto: era fanático por livros, na linguagem dos amigos, um"rato"de biblioteca. Realmente era capaz de ficar horas folheando velhos manuais de reconhecimento de borboletas, enormes atlas antigos ou qualquer coisa que chama-se sua atenção. Era um verdadeiro alívio para os pais saberem que Jairo havia ido para biblioteca.
O que ninguém havia percebido, no entanto, é que muitas de suas idéias com as piores conseqüências havia saído justamente daquele amontoado de saber. Chegara a montar um para-raio improvisado no barracão do quintal, utilizando velhas pontas de ferro. E, por incrível que possa parecer, o projeto funcionou. Isto é, ao menos metade, pois Jairo esquecera o aterramento. Havia sido pura sorte que durante a tempestade, alguns dias depois não houvesse alguém no local, literalmente destruído.
Agora Jairo tinha achado algo mais interessante, que fugia de qualquer ciência: um livro, na verdade um maço de folhas a cerca do vudú caribenho. Imergiu naquele mundo de zumbis e bonecos que representavam pessoas. Fantasiou a possibilidade de ser realmente verdade. Não cogitou por muito tempo; partiu para a prática.
Hábil, costurou dois bonecos. Conforme o livro os mesmos deveriam ter algo da pessoa a quem representariam. Conseguiu uma mecha de cabelo da irmã, enquanto ela dormia, e terminou o primeiro boneco. Enquanto dava os retoques no segundo boneco, pensava na segunda vítima. Distraído, acabou perfurando o dedo com a agulha e resolveu terminar por então. Testaria o boneco já pronto, e se não funcionasse ,deixaria o risco de transformar sua mão em almofada para agulhas. Recitou as preces do livro e foi procurar Marina, a irmã mais velha que tanto implicava com ele. Escondido, pegou a enorme agulha e tocou a perna do boneco; a irmã imediatamente olhou para a própria perna, assustada. Jairo percebeu, e enfiou a agulha, fazendo com que a moça gritasse de dor. A mãe acudiu, mas não encontrava nada que pudesse causar tanta dor a filha. Jairo segurava-se para não rir. Na verdade ficara um tanto assustado, pois ,realmente, não queria machucá-la. Mas a imaginar que poderia usar o segundo boneco para representar o namorado de Marina e trabalhar com os dois juntos, não conseguia conter o riso.
Saindo de seu esconderijo, sentiu uma forte fisgada no braço, como se um prego tivesse ali entrado. Nada havia. Na perna uma dor ainda mais forte. Era como se estivesse sendo dilacerado. Seu corpo começava a sacudir ,sem controle. A mãe e a irmã ficaram estáticas, chocadas. Jairo consegue ainda raciocinar e corre para o quarto. Era o outro boneco. Tinha seu sangue, do ferimento da agulha. O boneco que sobrara, era ele. Mais não havia mais tempo. Nero, seu pastor alemão havia descoberto o brinquedo e o destroçava, sem perceber seu dono partindo-se a cada dentada.


Fonte: assustador.com.br
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terça-feira, 16 de junho de 2009

O Punhal do Fofão, Lenda ou Fato? E Outras Revelações…

17:01 1
Fofão era um personagem infantil de muito sucesso que participava do programa de TV Balão Mágico. Interpretado por Orival Pessini, era muito querido pelas crianças nos anos 80, e chegou a ter seu próprio programa de TV, além de discos e bonecos.

E com essa linha de confecção de bonecos Fofão, venho consigo uma lenda, dizem que todos os bonecos do fofão que foram fabricados, vinham com uma “surpresa” dentro…sim diz a lenda que dentro do boneco exatamente entre o pescoço e a cabeça do boneco haveria um tipo de punhal ou lamina em forma de punhal.

A Espécie do Punhal, fazia parte do ‘esqueleto’ do boneco, era oq fixava a cabeça, do tal…
Veja ao lado, Dois exemplares diferentes do punhal encontrado dentro dos bonecos do Fofão.

Ao lado, uma foto de um jornal da época da “caça aos Fofões”. O punhal era preso à cabeça do boneco e se alongava até sua perna




Fonte: areadoterror
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Encourado

20:15 0
Segundo Nina Balle, "no nordeste brasileiro, conta-se a história do Encourado, um homem de hábitos noturnos que se veste completamente de couro preto, sendo que esta roupas cheiram a sangria. A presença do Encourado inspira medo e respeito. Ele só entra nas casas em que for convidado, no entanto, ele consegue arrumar artifícios para ser convidado. Segundo as lendas, ele tem preferência por pessoas que não freqüentam a igreja, além do que ele sabe de antemão quem são estas pessoas. Assim, ao chegar num povoado, ele já tem em mente quem primeiro procurar. Por onde ele passa, as galinhas param de botar ovos e não comem direito. Os cachorros não saem de casa e gemem o dia inteiro. Até mesmo, os urubus e carcarás, que são aves carniceiras, desaparecem para bem alto e longe. Ao pressentir a presença do Encourado, os moradores costumam sacrificar algum animal, pois acreditam que feito isso ele irá embora. Conta-se que no passado havia sacrifícios de pessoas indesejáveis, como criminosos e até mesmo de crianças. Entretanto, diz-se que basta oferecer simplesmente uma galinha preta ou galo vermelho para afugenta-lo sem contudo ofendê-lo. A oferenda, no entanto, deve ser pendurada na entrada principal da cidade, pois o Encourado só entra pela porta da frente."


Fonte: www.mantodanoite.hpg.ig.com.br
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Paredes Des Sangue

15:52 0

Uma mulher que morava em Minas Gerais, estava desesperada pois em sua casa sempre apareciam manchas de sangue pelos cômodos. As manchas eram sempre iguais e apareciam cada vez com mais freqüência.

Em uma noite que o marido dela foi trabalhar de plantão, ela com medo, de que fosse alguma pessoa engraçadinha querendo assustá-la, colocou ao dormir, um sofá, por dentro da porta de seu quarto, impedindo que alguém abrisse.

Mas quando ela acordou, lá estava a mancha de sangue por dentro da porta!


Fonte: Assustador

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A Loira Do Banheiro

15:50 0

Esta historia é muito contada em escolas da rede pública na cidade de São Paulo. Sua fama é muito grande entre os alunos.

Uma garota muito bonita de cabelos loiros com aproximadamente 15 anos sempre planejava maneiras de matar aula. Uma delas era ficar ao banheiro da escola esperando o tempo passar.

Porém um dia, um acidente terrível aconteceu. A loira escorregou no piso molhado do banheiro e bateu sua cabeça no chão. Ficou em coma e pouco tempo depois veio a morrer.

Mesmo sem a permissão dos pais, os médicos fizeram autópsia na menina para saber a causa de sua morte.

A menina não se conformou com seu fim trágico e prematuro. Sua alma não quis descansar em paz e passou a assombrar os banheiros das escolas. Muitos alunos juram ter visto a famosa loira do banheiro, pálida e com algodão no nariz para evitar que o sangue escorra.

Fonte: Assustador
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A Sombra Ruiva

15:45 0
A Irlanda é cheia de lendas sobre a banshee, criatura lacrimosa cujas visitas anunciam mortes. Seu nome, em Celta, é bansidhe - fada - embora muitos digam seja um espírito, ora bondosos ora malévolos. Essas aparições estão ligadas por lendas centenárias às grandes casas da Irlanda, cujos infortúnios ficam registrados nos gritos lamuriantes ou nas risadas demoníacas do espírito.
Existem vários relatos corroborando essas Lendas, mas talvez o mais impressionante ocorreu no século XVII na Irlanda, na residência dos O'Brien. Certa noite, Lady Ann Honora O'Brien foi acordada por numa noite por uma voz suave. Olhou pela janela e viu uma mulher que parecia flutuar bem em frente à vidraça. O corpo do fantasma se perdia na bruma, mas seu rosto, delineado pela Lua, estava claro - pálida, de olhos verdes, linda e uma farta cabeleira ruiva. A aparição gemeu três vezes, suspirou e sumiu.
Aquela imagem fascinou e amedrontou a jovem Ann, mas pensando que fosse apenas um sonho, dormiu novamente. Na manhã seguinte, Lady Ann encontrou sua família em prantos... seu irmão mais jovem havia morrido durante a noite. Sem saber o que fazer, a jovem contou aos pais sobre a visão que tivera na noite anterior. Aquilo não alertou ninguém, pois os mais velhos sabiam que sempre que um O'Brien morria, uma jovem ruiva que morrera no castelo e fora enterrada no jardim - logo abaixo da janela de Lady Ann - aparecia para um membro da família e chorava pelo parente morto.

Imagem e texto retirados da Coleção "Mistérios do Desconhecido" da Ed. Abril..

Esse texto é baseado no folclore da região citada.

Fonte: Assustador

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Os Ruídos Da Morte

15:43 0

Extraído do Livro chamado: "O Livro dos Fenômenos Estranhos" de Charles Berlitz

"Os habitantes das ilhas Samoa acreditam que, quando a morte se aproxima, pancadas secas paranormais são ouvidas na casa da vítima.

Esse estranho fenômeno já foi chamado de ruídos da morte, e sua existência representa mais do que mero folclore.

Genevieve B. Miller, por exemplo, sempre ouviu esses estranhos ruídos, principalmente na infância. As pancadas ocorreram durante o verão de 1924 em Woronoco, Massachusetts, quando sua irmã, Stephanie, ficou acamada com uma doença misteriosa.

Enquanto a menina permanecia na cama, ruídos estranhos, semelhantes a batidas feitas com os dedos, ecoavam pela casa. Eles soavam de três em três, sendo que o primeiro era mais longo do que os outro dois.

Certa vez, o pai de sra. Miller ficou tão irritado com os ruídos que arrancou todas as cortinas das janelas da casa, culpando-as por aquele barulho infernal. Contudo, essa demonstração de nervosismo de pouco adiantou para terminar com aquele sofrimento.

No dia 4 de outubro, já se sabia que Stephanie estava morrendo. Quando o médico chegou, ele também ouviu as pancadas estranhas.

- O que é isso? - perguntou, voltando-se para tentar descobrir a fonte do barulho.

Quando se virou novamente para a pequena paciente, ela pronunciou suas últimas palavras e morreu. As pancadas diminuíram a atividade após a morte de Stephanie, porém nunca chegaram a parar de todo. Elas voltaram, ocasionalmente, quando a família se mudou para uma casa nova.

Então, em 1928, o irmão de Stephanie morreu afogado quando a superfíc ie congelada de um rio, sobre a qual caminhava, quebrou-se. A partir dessa época, os ruídos da morte nunca mais foram ouvidos."

Fonte: Assustador
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O Holandês Voador

15:39 1
No noite do dia 11 de julho de 1881, perto da Costa de Melbourne na Austrália, os vigias do castelo de proa do HMS Inconstant anunciaram a aproximação de um barco a bombordo. Todos os 13 tripulantes, dentre eles os Oficiais foram até às amuradas para ver o recém-chegado. De acordo com os diários de bordo de dois aspirantes reais que estavam a bordo, o príncipe George (depois Rei George V) da Inglaterra e seu irmão, príncipe Albert Victor, emanava do barco uma "estranha luminosidade vermelha como a de um navio fantasma todo iluminado". Seus "mastros, vergas e velas sobressaíam nitidamente". Todavia, instantes depois, "não havia nenhum vestígio de algum barco de verdade".

As testemunhas achavam que haviam visto o Holandês Voador, o lendário navio fantasma que aterrorizou marinheiros durante séculos. A Lenda seria algo assim: apesar de todas as súplicas de sua tripulação, um Capitão Holandês insistiu em atravessar o Cabo Horn (próximo ao Estreito de Drake) em meio a violente tempestade. Então o Espírito Santo apareceu, mas o satânico Capitão disparou sua pistola e amaldiçoou o Senhor. Por sua blasfêmia, Deus lhe rendeu uma maldição, o barco foi condenado a navegar por toda a eternidade, sem nunca poder parar em um porto. Desde então, os marinheiros dizem que um encontro com o Holandês Voador é um prenúncio de desastre.

Assim foi para o HMS Inconstant. Os diários dos membros da família real registram que mais tarde, naquela mesma manhã, um desventurado vigia caiu da trave do mastro principal e ficou "inteiramente despedaçado". E, ao chegar ao porto de destino, o Almirante do barco foi acometido de uma doença fatal. Mera coincidência ou será a Maldição do Holandês Voador?

Imagem e texto retirados da Coleção "Mistérios do Desconhecido" da Ed. Abril..

Esse texto é baseado no folclore da região

Fonte: Assustador

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