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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Casas mal-assombradas não são necessariamente casas antigas


Analisando a hipótese de as aparições de fantasmas terem algo a ver com a estrutura ou arquitetura dos imóveis, à luz de um texto de CS Lewis e de uma recente notícia de assombração.


Por Prof. JV Miranda Leão Neto

Certa ocasião CS Lewis tentou explicar a aparição de fantasmas relacionada à arquitetura antiga e a cenas pesadas passadas em residências e empresas, como produtos de “magnetização” de energias ligadas às tais construções e circunstâncias, propondo que uma implosão, reconstrução ou reforma no prédio deveria por fim às aparições.

Esta explicação de Lewis foi única em toda a sua obra, e não por acaso se encontra no 3o Livro da Trilogia Espacial, “Aquela Forca Medonha” (AFM), pág. 393, parágrafo 1, Livro 1. Na verdade, no 3o Livro da Trilogia, não é bem Lewis quem explica o assunto por este viés, e sim uma personagem da história, que queria se ver livre de tais “incômodos do além”, sem necessariamente recorrer a um padre ou a um “ghost-hunter” qualquer.
Na realidade, esta idéia da solução para as assombrações vir da implosão ou reforma do prédio é uma tremenda simplificação, incompreensível para uma mente como a de Lewis (acostumada e crente no complicômetro cósmico), o que imediatamente nos leva à crença de que o trecho de AFM não corresponde a uma palavra de Lewis, e sim a algo que ele ouviu de outrem.
No livro todo, aliás, Lewis não passa de um ouvinte do personagem central, o sr. Mark Studdock, cujas memórias serviram de base para o enredo daquele que seria o livro mais “desaconselhável” de Jack (segundo ele mesmo), dada a crueza da exposição do Mal, nunca antes tão escancarado em toda a sua obra.
Para nós lewisianos da EAT, a obra é aconselhável, e muito, para compreensão mais completa do Evento ER, fato divisor de águas na História da Salvação.
De qualquer modo, por que Mark teria entendido – de outrem – que a solução para acabar com casas mal-assombradas seria a demolição ou reforma do prédio onde se manifestam, já que sua amizade com Lewis lhe mostraria outra história?
Tudo leva a crer que Mark ouviu a “solução” de algum dos pérfidos com que lidou no tempo de sua agonia no NICE (Instituto onde se tramava a dominação do mundo), pois eles se julgavam tão poderosos que nem mesmo as almas desencarnadas lhes traziam qualquer apreensão, e poderiam ser interpretadas – como tudo mais – como mera energia a atuar na “química atmosférica” de casas e prédios, que teriam a capacidade de reter (numa estranha memória – Aqui lembramos Rupert Sheldrake) e “regurgitar” todas as ocorrências dramáticas ou traumáticas em seu interior, acumuladas ao longo de sua história – ou emprestadas de fatos ainda mais antigos.

Porém Lewis sabia que havia muito mais coisas envolvidas! Sabia e até um dia viu (em “The Great Divorce”) que as almas dos desencarnados PODEM SIM reaparecer no mundo dos vivos, sobretudo em ambientes onde ocorreram fatos dramáticos ou traumáticos, ou em lugares onde, de alguma forma, suas memórias ficaram presas a “paixões ou vícios pegajosos”, como no caso de fantasmas-literatos cuja paixão por sua fama literária não os permite abandonar as livrarias ou bibliotecas onde seus livros estão expostos (este exemplo é do próprio Jack).
Isto então abre uma perspectiva muito mais ampliada para o entendimento das casas mal-assombradas, uma vez que qualquer que seja o lugar onde as tais “paixões ou vícios pegajosos” tenham se fixado na memória e na história pregressa do indivíduo, será ali mesmo onde ocorrerão manifestações fantasmagóricas, independente da arquitetura ou idade do imóvel.
Tanto é verdade que recentemente, aqui mesmo no nosso país (uma terra novíssima em termos de fantasmagorias), têm aparecido exemplos vivos de assombrações manifestadas em prédios recém-inaugurados ou bem novos (veja NESTE link), o que vem provar que as epifanias fantasmagóricas são muito mais complexas do que pode supor a melhor das mentes vivas, e é esta complexidade que tratamos aqui.
Ao longo da obra de Lewis, sobretudo em livros como “Cartas a Malcolm” e “O Grande Abismo” (The Great Divorce), a sobrevida da pessoa humana é tão concreta quanto o teclado em que digitamos este artigo, ou mais concreta do que muitas coisas que guardamos em nossos armários.
Na verdade, a morte não existe, e aquilo que chamamos ‘morte’ não passa de um “descascamento” da cobertura de carne que envolve nossa alma, que já existia antes de nascer na carne, num passado que não será nossa matéria aqui.
Quando a higidez de nosso corpo chega ao fim ou quando este não é mais capaz de suportar a presença de nossa alma lúcida (ela esteve lúcida apenas enquanto nosso corpo pôde dar suporte à nossa recém-formada consciência-ego), a alma humana – que muitos chamam de ‘energia’ mas, se for energia, é uma totalmente desconhecida da Ciência – se desprende e passa a habitar o ambiente próprio das consciências desencarnadas, que a Bíblia chamou de “região dos mortos”.
O processo se dá assim (o leitor poderá ler muito mais de nossa Escola sobre o assunto por ESTE link 1 e depois por ESTE link 2) como no seguinte resumo:
Uma vez livre do corpo, a alma passa, a princípio, por um período de escuridão pré-consciente, do mesmo modo como ocorre com bebês recém-nascidos, durante o tempo em que ainda não abriram os olhinhos.
A consciência propriamente dita, tanto no bebê quanto na alma, só chegará após um tempo (nos bebês após os 7 anos, mais ou menos) e virá ainda mergulhada em “inocências” ou com as ingenuidades típicas de quem chega a primeira vez numa cidade como forasteiro. Só depois de alguns meses ou anos o visitante se sente assim como um “cidadão” do lugar.
Após este tempo, as questões relativas ao passado começam a aparecer mais fortemente, e é aí que o indivíduo passa a ter as primeiras “pontadas” da consciência moral, que já perfazem as primeiras chamadas de Deus à responsabilidade de galgar um lugar mais elevado, para o qual a alma foi criada.
É neste ponto que a alma sente a surpresa de ainda possuir liberdade total, ao ponto de poder recusar as chamadas e decidir o seu destino naquele exato instante, ou seja, manter-se ali, longe do Reino de Deus, subir ao Paraíso ou baixar pela Terra, onde de nada usufruirá, mas poderá “assustar” os vivos.
E enquanto se mantiver ali, as chamadas jamais cessarão, pois Deus baterá naquele coração para sempre, ou até onde chegou a informação colhida por Lewis.
Assim, quem quer que tenha morrido, ouvirá a voz de Deus no seu interior, e esta voz o acompanhará até que alcance a “superconsciência dos sólidos”, ou seja, daqueles que já “ressuscitaram por completo*” e já ascenderam ao Paraíso (chamados popularmente de “santos”). [Falo “ressuscitar por completo*” porque todos ressuscitam, ou se solidificam, mas uns para o Bem – o Paraíso – outros para o Mal, a solidão infernal].
Os outros, ou seja, todos os que ouvem a voz mas teimam em tentar manter sua vida com características de “encarnado”, são precisamente aqueles que se manifestam nas casas mal-assombradas, tentando observar o que os vivos estão fazendo (quando não são de todo malignos) ou interferir na vida dos vivos (quando já assumiram o Mal que os engolfou).
Isto é que encerra a discussão sobre a idéia de que prédios velhos é que fariam aparecer “almas penadas” ou outras fantasmagorias, pois é a liberdade de decisão das almas que as leva a procurar os lugares onde se manifestarão.
Mas é claro que casas e prédios velhos, com o maior tempo em que receberam as energias psíquicas das pessoas que neles habitaram ou trabalharam, têm maior chance de “deixar transparecer” consciências desencarnadas que lá penetram, pois o acúmulo das energias ao longo do tempo como que multiplica ou amplifica os chamados “campos mórficos” e o ambiente então passa a contar com este “subproduto” da Criação, que é aquilo que Sheldrake chamou de “memória da Natureza” (subproduto aqui não é depreciativo, pelo contrário, mostra o infinito amor de Deus cintilando em todas as coisas criadas).
Isto posto e finalmente, fica claro que QUALQUER lugar pode manifestar aparições e fantasmagorias, dependendo das almas que um dia o habitaram ou até das que o habitam agora, se estas tiverem manias psíquicas fortes ou viverem ali dramas pessoais indeléveis, os quais também atraem almas desencarnadas vazias ou que estejam à procura de si mesmas (tecnicamente falando).
E mais: não adianta levar este assunto para quem for cético, pois a característica mais forte das almas incrédulas não é ter passado pela morte e descrer que continuam vivas, mas é já terem morrido e ainda acreditar que estão entre os vivos.




Fonte: Escola de Aprofundamento Teológico

Via: Arquivos Do Insolito

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