Criptozoologia - Black Shuck


Black Shuck, Old Shuck, Old Shock ou simplesmente Shuck é o nome dado ao espectro de um cão negro e fantasmagórico que foi visto percorrendo o litoral e o interior de East Anglia, região localizada no Reino Unido. Este tipo de criatura também faz parte do folclore regional de Norfolk, Suffolk, dos pântanos de Cambridgeshire e até de Essex, cidades que ficam em East Anglia.


O nome Shuck pode derivar da palavra "scucca", que no antigo dialeto inglês significa "demônio" ou surgiu à partir da palavra "Shucky", que significa "desgrenhado" ou "peludo".

Black Shuck é um dos vários espectros caninos já vistos em terras britânicas. Às vezes considerado como presságio de morte, este ser misterioso já foi visto inúmeras vezes no decorrer dos séculos. Walter Rye, uma vez escreveu que Shuck era sem dúvida "o mais curioso dos espectros britânicos, já que não havia qualquer dúvida sobre existência, graças à variedade de avistamentos".



Sua suposta aparição em 1577 no Bungay e Blythburgh é um relato particularmente famoso da besta, e imagens de cães sinistros negros tornaram-se parte da iconografia da área.

Folclore

Durante séculos, os habitantes da Inglaterra contavam histórias de um grande cão preto com olhos flamejantes (ou em algumas variantes da lenda, um único olho) de um tom vermelho vivo ou, em contos alternativos, verde. Eles são descritos como sendo "como piras em chamas". Segundo os
relatos, a besta varia em tamanho e estatura de cães, e já foi mencionado como tendo o tamanho de um bezerro ou mesmo de um cavalo. Às vezes Black Shuck aparece sem cabeça, e em outros momentos como que flutuando sobre um tapete de névoa.

De acordo com o folclore, o fantasma assombra as paisagens de East Anglia, principalmente em litorais, cemitérios, encostamento de rodovias, encruzilhadas, lagos e florestas escuras. WA Dutt, descreveu a criatura assim:

Ele toma a forma de um enorme cão preto, e  anda ao longo de corredores escuros e caminhos de campo solitário, onde, apesar de seu uivo transformar o sangue de quem o ouvir em gelo, seus passos não fazem qualquer som. Você o reconhecerá pelo olho de fogo; ele tem apenas um, que como o dos ciclopes, fica no meio de sua cabeça. Mas esse encontro pode trazer-lhe o pior da sorte: é ainda dito que quando você o encontra é um aviso de que sua morte vai ocorrer antes do final do ano. Então você fará bem ao fechar os olhos, se o ouvir uivar; mesmo que não tenha certeza se é o cão demônio ou a voz do vento que ouve.


Dr Simon Sherwood sugere que a descrição sobrevivente mais antiga de cães pretos diabólicos é um relato sobre um incidente na Abadia de Peterborough registrado no Peterborough Chronicle (um "jornal" anglo-saxão) em torno de 1127. Esse relato também parece descrever a nível europeu o fenômeno de uma Caçada Selvagem:


Não deixe ninguém se surpreender com a verdade do que estamos prestes a contar, pois era de conhecimento comum em todo o país que, imediatamente após a chegada do abade Henry de Poitou à Abadia de Peterborough no domingo, enquanto eles cantavam Exurge Quare, muitos homens viram o mesmo que eu vi e ouvi: um grande número de caçadores. Os caçadores eram negros como a noite, ostentando chifres enormes e horrendos, e montavam em cavalos igualmente pretos. Eram guiados por cães negros com olhos como piras. Isso foi visto no parque da cidade de Peterborough, e em todas as demais cidades que se estendem após Peterborough até Stamford, bem no meio da noite. Os monges ouviram soar seus sinuosos chifres e testemunhas confiáveis que mantinham vigília à note declararam que poderiam ser vinte ou trinta deles. Isto foi visto e ouvido a partir do momento de sua chegada durante toda a Quaresma e até a Páscoa ".

De acordo com algumas lendas, a aparência do cão é um mau presságio para o espectador - por exemplo, na área de Essex, o ponto mais a sul dos avistamentos, onde ver um Black Shuck significa morte quase imediata do observador. No entanto, as mais frequentes lendas afirmas que o avistamento da besta pode não ter um significado, já que muitas pessoas que o viram não chegaram a morrer, no máximo parentes próximos ao observador morreram ou ficaram doentes.



Em contrapartida, em outros contos, o animal é considerado como relativamente benigno e é dito acompanhar as mulheres em seu caminho de casa no papel de protetor, em vez de um presságio de mau agouro. Alguns cães negros foram relatados ajudando os viajantes perdidos a encontrar o seu caminho de casa e geralmente são mais úteis do que ameaçadores; Sherwood observa que histórias benignas do cão se tornaram mais regulares no fim do século 19 e ao longo dos séculos 20.

Aparência em Bungay e Blythburgh

Um dos mais notáveis ​​relatórios de Black Shuck é de sua aparição nas igrejas de Bungay e Blythburgh em Suffolk. Em 04 de agosto de 1577, em Blythburgh, Black Shuck foi visto entrando pelas portas da igreja como um trovão. Ele correu até o altar, na frente de uma grande congregação, matando um homem e um menino e fazendo com que as torre de igreja entrasse em colapso através do telhado. Quando o cão saiu, deixou marcas de queimaduras na porta norte, que podem ser vistas na igreja até hoje.



O encontro, no mesmo dia em Bungay foi descrito como assustador e terrível pelo reverendo Abraham Fleming em 1577:


Este cão preto ou demônio correu por todo o salão da igreja e por entre as pessoas orando com grande velocidade e pressa incrível, em uma forma e tamanho visíveis, passou entre duas pessoas ajoelhadas ocupadas demais com suas orações. A besta torceu seus pescoços, e em um segundo, estavam ambos mortos.

Adams era um clérigo de Londres, e, portanto, provavelmente, só publicou seu relato com base nas histórias exageradas. Outros contos locais atribuem o evento ao Diabo (Abrahams chama o animal como "demônio" em seu relato). As marcas de queimaduras na porta são referidas pelos moradores como "impressões digitais do diabo", e o evento é lembrado neste versículo:

Toda a igreja estava em meio a fogo, o monstro infernal voou e matou muitas pessoas.


Fonte: ShowDoMedo
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