As máscaras da morte do doutor Lombroso

Cesare Lombroso e sua coleção de cabeças

 Por Diego Quadros



O italiano Cesare Lombroso foi um médico e cientista do século XIX. Autor do livro L’uomo delinquente / O homem delinquente (1876), é um dos nomes mais conhecidos da Criminologia (segundo a Wikipedia: o “conjunto de conhecimentos que se ocupa do crime, da criminalidade e suas causas, da vítima, do controle social do ato criminoso, bem como da personalidade do criminoso e da maneira de ressocializá-lo”).

Trabalhou como médico penitenciário, podendo realizar na prática diversas experiências com os encarcerados – e que mais tarde fundamentariam as ideias expostas em seu livro.

Lombroso: uma cabeça num pote de vidro



Amplamente influenciado pela Frenologia (novamente recorrendo à Wikipedia: “uma teoria que reivindica ser capaz de determinar o caráter, características da personalidade e grau de criminalidade pela forma da cabeça“), Lombroso deteve grande importância no mundo do Direito Penal, mesmo quando parte de suas proposições começaram a cair no descrédito.

Se, por um lado, foi um dos pioneiros na defesa da implantação de medidas preventivas ao crime, tais como educação, iluminação pública e policiamento ostensivo, por outro advogava a tese do criminoso nato – sujeitos propensos biologicamente à pratica de determinados crimes. 
Artefatos utilizados por um criminoso


Escreveu ele: “O criminoso nato seria caracterizado por uma cabeça com pronunciada assimetria craniana, fronte baixa e fugídia, orelhas em forma de asa, zigomas, lóbulos occipitais e arcadas superciliares salientes, maxilares proeminentes (prognatismo), face longa e larga, apesar do crânio pequeno, cabelos abundantes, mas barba escassa, rosto pálido.“

Coleção de crânios


Polemicas à parte, não pretendo aqui descrever minuciosamente as teorias do médico italiano (para maiores informações, conferir a lista de referências ao final da postagem).

O fato é que, conversando com alguns colegas de trabalho dias atrás, todos envolvidos com o curso superior de Direito, me surgiu o interesse de pesquisar sobre a vida e o trabalho de Lombroso no intuito de adquirir ideias para eventuais narrativas de ficção.

Uma figura tão singular geralmente é um prato cheio para a criação de personagens e situações inusitadas. E, numa dessas pesquisas, acabei topando com um dos museus mais bizarros de que tenho notícia: o Museu de Antropologia Criminal de Cesare Lombroso, localizado em sua cidade natal Turim.

Arma de homicídio e fotos da vítima


O acervo conta com inúmeros materiais coletados pelo cientista ao longo da sua trajetória de estudioso da criminalidade: artefatos utilizados por criminosos na consumação de seus delitos – adagas, picadores de gelo, cutelos, machadinhas, machados, armas de fogo e cordas; moldes de orelhas feitos de gesso, demonstrando as formas que possuíam num delinquente em potencial; fotografias de presidiários e de suas tatuagens (outra característica de um bandido, segundo Lombroso) e mesmo pedaços conservados de peles tatuadas; desenhos, esculturas, poemas e canções feitos por criminosos e que demonstram sua absoluta frieza e falta de remorso; retratos de cenas de crimes e de cadáveres de vítimas.

Enfim, uma vastidão de peças reunidas por alguém preocupado com cada detalhe e aspecto da vida de delinquências.

Máscaras mortuárias:











Mas talvez os itens mais interessantes – e, ao mesmo tempo, bizarros e assustadores – do museu sejam as centenas de cérebros, crânios e máscaras mortuárias de diferentes criminosos (reconstituindo cuidadosamente suas fisionomias após o último estertor).

Olhando apenas por imagens da internet, as mórbidas peças já causam arrepios na maioria dos “cidadãos de bem”. Presencialmente, então, o desconforto deve ser ainda mais pronunciado. Isso sem falar na cabeça do próprio Cesare Lombroso, conservada há mais de cem anos num vidro de formol…

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