Por dentro do mundo luxuoso das bruxas mais ricas da Romênia



Ouro é uma parte essencial da cultura roma, especialmente para a rainha das bruxas, Maria Câmpina.
Essas cadeiras douradas pertencem a uma bruxa chamada Sultana. Sultana disse à autora que seus estudos só vão deprimi-la e que toda vez que se sentisse infeliz, ela devia virar uma pedra de cabeça para baixo. 
 As casas das bruxas são pura ostentação, seja com cadeiras douradas ou TVs de tela plana. Essa é a casa de uma bruxa chamada Amalia, que, na época, estava treinando sua sobrinha na arte da bruxaria. 
 Os móveis de Maria Câmpina, que disse poder falar com os mortos.
 As bruxas acendem velas para "abrir o olho interior", antes de lançar feitiços ou ver o futuro.
Loventa disse que conseguia ver a tristeza por trás do sorriso da autora. A bruxa também disse que a tristeza cresceria depois que um ente querido dela morresse.
Atena sabia que a autora não acreditava em seus poderes nem em Deus. Ela disse que Lucia nunca seria feliz se não abraçasse a Deus.
 A escadaria de Atena, que acredita que sua vida é guiada por sonhos com sua avó falecida.
Sunita disse que um ponto de guinada importante está chegando na vida da autora, e que ela devia ter cuidado com a saúde.
 Poções são uma parte importante da cultura das bruxas.
A bruxa Ivana Sidonia disse que o ex da autora a queria de volta e que um ente querido dela morreria em breve.
 Bolas de cristal podem ser usadas para ver o futuro.
 Maria Câmpina sentada em seu sofá dourado.
Selena está aprendendo magia para se tornar uma bruxa. Ela está no colegial, mas aprende as artes mágicas com a tia Amalia.
Ano passado, a fotógrafa eslovaca Lucia Sekerková viajou para a Romênia para conhecer Maria Câmpina, a autoproclamada rainha das videntes. Localmente, videntes são conhecidas como "bruxas". 
Geralmente de origem roma, essas bruxas seriam capazes de ler o futuro na palma da mão, em grãos de trigo ou nas estrelas.
Lucia fez amizade com Maria e passou um tempo documentando as bruxas, suas casas e seu negócio – uma prática passada de geração em geração desde os tempos antigos. 
VICE entrevistou a fotógrafa sobre esse projeto:
VICE: Como você acabou documentando a vida das bruxas romenas?
Lucia Sekerková: Tenho um fascínio e um certo medo do oculto desde que era criança. Decidi vir para a Romênia através do programa de intercâmbio estudantil Erasmus porque achei que o país era muito misterioso e rico em folclore. Eu estava procurando informações sobre os vilarejos, as pessoas e as tradições do país na internet, quando achei um vídeo no YouTube dessas videntes. Soube de cara que precisava conhecê-las pessoalmente.
Então, pedi para a comunidade CouchSurfing me ajudar a encontrar o fotógrafo local Cosmin Iftode. Ele acabou sendo meu guia e tradutor, o que foi muito bom, porque poucas dessas bruxas falam inglês. Eu não teria conseguido sem ajuda dele. Ficamos amigos desde então.
Como você achou as bruxas?
Procurei os endereços e telefones delas pela internet e em jornais, mas foi muito difícil convencê-las a me deixar fotografá-las. Algumas pediram dinheiro, outras não. De qualquer forma, a maioria estava disposta a barganhar. Os preços variavam entre 20 (R$70) e 50 (R$175) euros por sessão.
Eu disse a elas que estava fazendo fotos para um jornal da Eslováquia. Elas provavelmente não concordariam se eu dissesse a verdade: que esse era meu trabalho de conclusão de curso. Além disso, dizer que eu trabalhava num jornal as assegurou de que eu podia pagar o preço que elas estavam pedindo.
Depois de dias de procura e negociação, finalmente encontrei Maria Câmpina – que se apresenta como rainha das bruxas – e fechei um negócio com ela. Para tirar a foto dela e de suas conhecidas, tive que prometer que o jornal em que eu trabalhava publicaria uma história completa sobre ela, além de lhe dar a primeira página. Assim não tive que pagar nada pela sessão de fotos. A foto de Maria acabou na primeira página do SME, um jornal semanal da Eslováquia.
Foi difícil interagir com essas mulheres?
A parte mais difícil foi convencê-las a serem honestas. Enquanto as entrevistava, eu tinha a sensação de que elas tendiam a exagerar suas histórias. Era óbvio que elas queriam dar uma boa impressão. Vidência é um negócio no final das contas. Eu não estava acostumada a lidar com pessoas assim, então as conversas podiam ser exaustivas.
Você testou as habilidades delas de prever o futuro?
Sim. Parte do projeto era ver quão diferentes seriam as previsões. E foram bem diferentes – algumas negativas, outras positivas. Todas bem curtas e bastante gerais.
Por exemplo, uma das bruxas disse que eu iria me casar e ter três filhos dentro de um ano. Faz mais de um ano desde que ela previu isso e nada aconteceu. A parte mais estranha foi quando uma bruxa se aproximou de mim, puxou meu cabelo e disse que alguém próximo de mim ia morrer. Felizmente, isso não aconteceu também.
Você acha que o esteriótipo local dos roma como feiticeiros ajuda essas videntes a fazer dinheiro?

Nas comunidades roma, é geralmente o homem quem sustenta a família. Se eles fazem isso honestamente ou não, é uma questão totalmente diferente. Vidência é um negócio muito antigo – o único que as mulheres roma podem praticar. Também é o único jeito das mulheres roma ganharem respeito e terem sucesso dentro de suas comunidades.
As garotas roma vão para a escola até os 18 anos, mas também aprender vidência com as mães, tias e avós. Cada garota decide por si mesma se o negócio é moralmente correto ou não, porque a prática geralmente implica se aproveitar da ingenuidade dos clientes. 
O que você acha dessa prática tão antiga ainda resistir na sociedade moderna?

Primeiro, fiquei fascinada. Fotografei algumas das bruxas mais ricas e respeitadas do mundo. Essas mulheres conseguiram conquistar algo incrível: elas construíram um negócio moderno usando rituais antigos originados em suas raízes étnicas. Seus costumes são exatamente os mesmos de um século atrás. O que mudou é a percepção que as pessoas têm delas.

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