Creepypasta - Anansi's Goatman Story


Salvo do /x/ do 4chan, em 28 de setembro, 2012. Às 1:31 da manhã


Aqui está minha história:

>tenha 16 anos
>seja negro e tenha família no Alabama
>são fazendeiros e tem uma enorme propriedade em Huntsville
>tio tem uma enorme propriedade e alguns trailers que ele deixa na selva para quando quiser acampar ou caçar
>primos sugerem que deveríamos ir lá acampar
>sabem que sou uma criança da cidade de Chigago, então realmente me enchem o saco para ir
>coletamos comida, matamos um porco e umas galinhas e pegamos o indispensável para passarmos alguns dias
>chegamos no campo e obviamente havia algo bizarro
>o ar tinha um cheiro bizarro de eletrecidade, como aqueles que vêm antes de uma tempestade, aquele cheiro de ozônio
>não ligamos para isso, desempacotamos nossas coisas e fomos pro lago nadar
>do nada, um homem branco apareceu no meio dos arbustos com um adolescente
>ele tinha uma espingarda e nos perguntou o que estávamos fazendo no meio da mata
>falei pra ele sobre meu tio, que o conhecia, e que iríamos acampar
>ele nos pediu para ter cuidado e sempre ficar juntos, pois havia algum animal grande na mata
>seu filho, que tinha minha idade pergunta se pode ficar lá com a gente
>ele diz que tudo bem

Vou parar de escrever em greentext porque essa história é muito longa, e é complicado de se escrever nesse formato.

Então nós acabamos indo jogar futebol. Junto comigo estava o moleque branco "Tanner", cinco de meus primos e quatro de seus amigos. No total, eram 5 garotas e 6 garotos. Todos nós tínhamos entre 16-17 anos.

Acabamos só vagabundeando o dia todo. Então, fomos para o campo pegar lenha para uma fogueira, apesar de os dois trailers terem cozinha. Tanner comentou que a propriedade de sua família era próxima da do meu tio, então ele gostaria de ir para casa perguntar se poderia acampar com a gente. Meu primo Rooster dise que ele iria também, já que logo iria escurecer. Uma das garotas também quis se juntar a eles.

Eram quase 7 horas, e já estava ficando bastante escuro. Eles ligaram as lanternas e pegaram a trilha para a propriedade do Tan. O resto de nós ficou relaxando. Fizemos smores, bebemos e beijamos as garotas.

Cerca de 30 ou 40 minutos depois, sentimos o cheiro de ozônio de novo. Dava para sentir mais forte do que o cheiro do fogo que havíamos acendido. Era aquele cheiro nojento, meio de cobre, de quando você teve um sangramento no nariz que acabou de passar. Não era exatamente como sangue seco, mas era um cheiro metálico nojento, que pegava na garganta.

Imediatamente pensamos que pudesse ser algum problema na eletricidade ou que alguém tivesse deixado algum fogão ligado. Procuramos nos trailers e nada, e era um cheiro que todos nós sentíamos. Do nada ouvimos alguém correndo em nossa direção e logo apareceu o Rooster, Tan e a garota que foi com eles. Todos estavam sem fôlego e entraram no trailer correndo deseperadamente.

Nem fodendo que ficaríamos la fora também, então corremos para o trailer. Eles foram se acalmando aos poucos; até Rooster não conseguia parar de chorar. Enquanto isso nossa fogueira começou a diminuir, e nossos primos decidiram que eles iriam sair para buscar um gerador.

O Tanner surtou, "Nem fodendo! Tranquem a porta da frente, e ninguém sai daqui!". Ele estava chorando também, com os olhos vermelhos e inchados, e suas calças estavam sujas pra caralho.

Então ele começou a contar que eles chegaram na casa dele. Seu pai disse que estava tudo bem que ele viesse acampar com a gente, mas que precisavam tomar cuidado no caminho de volta, e que ele deveria levar uma das espingardas.

Obviamente, Tanner havia visto alguma coisa estranha em seu quintal alguns dias antes. Um de seus porcos estava todo aberto, e meio comido. Eles presumiram que foi algum tipo de gato do mato ou coiote, apesar de eles geralmente não procurarem presas vivas.

Ele subiu as escadas e pegou suas coisas, e disse a seu pai que ficariam ok sem a espingarda porque estava em grupo e coiotes tem medo de pessoas. Então eles pegaram a trilha de volta para nosso acampamento.

Finalmente Rooster parou de tremer e chorar; a garota já havia parado, mas ela estava apenas encarando lá fora com um olhar idiota. Ele disse que eles estavam mais ou menos no meio do caminho pra cá quando começaram a ouvir algumas merdas na floresta. Já estava quase totalmente escuro, então não conseguiam saber do que se tratava. A garota disse que ouviram algo nos arbustos logo à direita da trilha, e todos apontaram a lanterna para lá, e havia uma pessoa parada no mato. Rooster disse que gritaram com ele, disseram que ele estava assustando a todos e que ele era um filho da puta.

Ele disse que eles notaram que o cara estava de costas para eles, então eles seguiram andando, e começaram a sentir aquele cheiro nojento de ozônio. Eles disseram que começaram a olhar para o lado oposto da trilha, e havia um cara parado na floresta, também virado de costas e um pouco mais perto.

Agora eles estavam andando cada vez mais rápido, e Tan não parava de dizer "Eu devia ter pego a merda da espingarda".

Enquanto eles contavam a história, o cheiro estava extremamente forte mesmo dentro do trailer.

Disseram que depois que começaram a andar mais rápido, uma espécie de burburinho confuso começou a vir dos dois lados da mata. Quando estavam quase chegando no trailer, a garota disse que apontou a lanterna para a floresta logo ao lado deles, e viu alguma coisa se masturbando. O murmúrio só ficava cada vez mais alto, e assim que eles viram a luz de nossa fogueira, algo saiu da floresta cerca de 30 metros deles, então eles só correram o mais rápido que conseguiram até o trailer.

Então estávamos na porra do meio da floresta, e presumimos que algum caipira de merda estava tentando zoar com a nossa cara.

Do nada, meu outro primo, Junior, começou a contar sobre como ele estudava com uma criança nativa que contava sobre um tal de "Homem Bode" ou algo assim. Todos nós mandamos ele calar a boca, já que ninguém precisava de histórias de terror naquela hora.

Mas ele apenas continuou falando sobre como era a porra do Homem-Bode, e como ele ficava nessa floresta e blá blá blá. Nessa época eu não havia ouvido falar de nenhum tipo de homem bode ou algo do tipo, mas a uns anos atrás - um ano antes de eu me formar na faculdade - eu tive um colega de quarto menonita, e acabei perguntando sobre isso pra ele. Basicamente é a porra de um homem com a cabeça de um bode que consegue assumir outras formas e vai atrás de grupos de pessoas para aterrorizá-las. É mais ou menos como o Wendigo, te dá má sorte até de falar sobre isso, e é ainda pior vê-lo.

Lembre-se, eu não sabia disso quando tinha dezesseis anos. Então meu primo estava todo "O Homem Bode está vindo e irá nos pegar." As meninas estavam todas aterrorizadas, e meus primos e eu estávamos tentando entender se era só algum tipo de animal ou alguém zoando com a nossa cara.

Do nada o cheiro sumiu. Até esse dia eu nunca havia visto algo do tipo antes. Cheiros geralmente vão desaparecendo aos poucos, mas esse literalmente estava lá em um segundo, e não estava no próximo.

Então havia passado uma hora, já eram umas 9 ou 10 da noite. Paramos de cagar tijolos o suficiente para irmos lá pra fora e reacendermos o fogo. Imaginamos que eram só alguns otários zoando com a nossa cara, e que não iríamos para casa, porque se fossemos eles poderiam nos seguir pela trilha ou alguma merda desse tipo.

Mais nada de bizarro aconteceu naquela noite. Ficamos mais uma noite, e na maior parte do tempo nada de estranho aconteceu. Mais ou menos 1h da manhã nós saímos para beber e contar histórias de fantasmas. Enquanto alguém contava alguma historinha assustadora - não me lembro sobre o que - o cheiro voltou. Era tão forte que uma das meninas começou a vomitar.

Me levantei, e dava para sentir que o ar estava pegajoso. Eu disse que deveríamos entrar, mas isso foi um erro. Deveríamos ter ido embora.

Entramos no trailer, e ficamos sem saber o que fazer. Meu primo não parava de falar sobre como era o homem bode, e meu primo Rooster tentava fazer com que ele calasse a boca. O tempo todo eu sentia que algo estava errado, mas não conseguia saber bem o que era.

Ficamos apenas sentados por um tempo; o cheiro continuava forte e estávamos todos encolhidos e aterrorizados. Acabamos cozinhando salsichas para todos, pois ninguém queria ir lá fora. Era um daqueles pacotes com 4 salsichas, um total de 3 pacotes. Grelhei as salsichas e fiz um hot dog para cada um, e peguei o meu. Depois de um tempo, um de meus primos levantou para buscar outro.

Ele começou a reclamar sobre como eu peguei 2 salsichas enquanto todo mundo só comeu uma, e eu o chamei de idiota. Eu disse que cada um teria que comer apenas uma, pois haviam apenas 12 salsichas, e se ele quisesse mais, teria que grelhar um pacote novo.

Foi quando a garota que saiu com o Rooster e Tan começou a gritar desesperadamente, "MEU DEUS! SAIAM DAQUI! VAMOS SAIR DAQUI RÁPIDO!". Ela começou a tremer e chorar, e nós nos levantamos para entender o que caralhos estava errado. Eu e Rooster começamos a andar pela sala, e eu senti meu coração encolher. Eu corri para fora da cabine, e a garota correu comigo. Conforme as pessoas saíam por uma porta do trailer, a outra porta estava batendo.

Um dos amigos do meu primo perguntou que merda estava acontecendo. Eu comecei a contagem: éramos apenas 11.

"Nem fodendo", meu primo verificou. Haviam 12 pessoas naquele trailer. Mas como ninguém conhecia todo mundo direito, ninguém notou que a porra do tempo todo havia uma pessoa a mais. Então eu notei que mais cedo que eu meio que percebi que algo estava estranho. Sabe quando você está só relaxando, passando um tempo de boa, e não presta atenção nas coisas direitos? Eu tenho certeza de que alguém estava naquele trailer com a gente, e que ficou com a gente por pelo menos a porra de um dia, comendo junto com a gente. O que é pior é que eu acho que posso imaginar quem foi porque não acho que ninguém realmente interagiu com a outra pessoa/Homem-Bode.

A garota continuou rezando para Jesus e estávamos todos sentados lá fora; eventualmente, pegamos pedaços de pau enormes e voltamos para o trailer, mas não havia ninguém lá. Contamos de novo, e éramos 11 pessoas. Entramos no trailer e fechamos a porta. Nós explicamos o que caralhos aconteceu, e a garota disse que também percebeu, e quando ela estava para falar algo, a pessoa sentada ao lado dela agarrou sua perna com força e se projetou para cima dela, dizendo algo que não deu pra entender.

Estávamos com medo pra cacete enquanto nos encolhíamos todos juntos, e eu acabei dormindo. Quando acordei estava amanhecendo, e metade das pessoas estava dormindo enquanto a outra metade guardava nossas coisas para irmos embora.

Todos nós queríamos ir para casa, mas umas 4 pessoas queriam esperar até o sol estar no pico. E algumas pessoas pessoas pensavam que estávamos só zoando, e ainda queriam ficar nos trailers. Eu só queria sair dessa merda de floresta.

O nome da menina era Keira, a que o Homem-Bode encostou. De qualquer forma, eu perguntei se ela pensava que isso era realmente algo ruim, e ela respondeu que apenas queria ir pra casa, e que não queria ficar sozinha na floresta por mais uma noite.

Então nós decidimos nos dividir; os 4 que queriam ir podiam ir, mas eu precisava ficar pois tinha as chaves do trailer e ele era do meu tio, então eu precisava trancá-lo. Eu estava muito puto naquela hora, porque sentia que as pessoas não estavam levando essa merda a sério, e eu definitivamente não queria ficar lá mais uma noite. Passei o resto do dia tentando convencer o resto do pessoal - agora 4 meninas e 4 caras - a sairmos de lá. Tanner foi com eles para buscar um rifle e disse que iria voltar. Então éramos apenas nós 7 as 4h da tarde.

As 5h ele ainda não havia voltado, e começamos a ficar extremamente ansiosos, porque única razão para eu parar de implorar para voltarmos é porque ele iria buscar uma arma.

Era mais ou menos 5:30h quando um dos primos comentou que a Keira estava lá fora. Olhamos pela janela e realmente, ela estava encarando a lareira, de costas para o trailer.

Eu pensei, se ela estava tão cagada de medo, então por que caralhos ela iria voltar? E comecei a ter aquela sensação de aperto nas minhas entranhas. Pensando bem, o cheiro de cobre não havia voltado esse tempo todo, mas agora dava para sentí-lo um pouco.

Eu disse isso para o resto e todos - eram as pessoas que queriam ficar na porra da floresta mesmo com a porra de um Homem-Bode junto conosco - riram de mim e perguntaram se eu estávamos inventando isso para assustá-los.

Eu olhei para eles do tipo "É óbvio que não estou zoando com a cara de vocês agora". Perguntei por que diabos eu iria brincar dessa forma? Então uma das meninas saiu para buscar a Keira. Ela chegou até a metade do caminho e parou congelada. Keira começou a arfar; eu não sei como caralhos descrever isso. Era como se alguém de costas estivesse rindo muito, sem fazer nenhum som. Na verdade, isso me fez notar que não havia nenhum som no bosque. Estava mortalmente silencioso.

Era lá pelo final de Setembro, então ainda estava bastante quente, mas haviam uns dias bem gelados. E você deveria conseguir ouvir uns gansos gigantes grasnando, ou uns pássaros ou esquilos batendo-papo.

Então parei na porta e mandei que ela voltasse para a porra do trailer.

Ela voltou e trancamos a porta. Abaixamos todas as persianas menos uma, e botamos um cara em uma cadeira para vigiá-la. Ela ficou ali por uns 20 minutos. O cara se se virou para nos dizer que ela ainda estava lá, e ouvimos uma batida GIGANTE na nossa porta.

Todos nós pulamos e começamos a correr pela sala do trailer. A pancada foi alta pra cacete.

Agora meu primo estava segurando uma das meninas, e os outros dois estavam rindo com uma risadinha nervosa, e eu e os outros dois caras estávamos nos borrando.

Então nos ouvimos Tan. Ele estava berrando.

ME DEIXA ENTRAR CACETE PARA DE BRINCAR PORRA PAREM COM ESSA MERDA!

Nós fomos até a porta e a abrimos, e ele tropeçou para dentro com um rifle. Não havia mais ninguém lá fora.

Obviamente, ele veio andando até o acampamento. Nada de estranho aconteceu na floresta, mas ele viu uma garota. O engraçado é que ele disse que não era a Keira. Quando ele chegou na beira da clareira, ela olhou para ele com uma cara de retardada e apenas ficou encarando, seguindo ele com a vista enquanto ele atravessava o campo. Ele disse que mais ou menos na metade do caminho ele percebeu que ela estava chegando mais perto. Ela estava junto da fogueira, e sem ele sequer notar ela se movendo, ela estava bem mais perto. Ele apenas saiu correndo para o trailer pensando que ele estava aberto. Quando ele viu que estava trancada, se virou e notou que a garota já estava na metade do caminho até a porta.

Ele olhou em volta pela sala e ficou extremamente pálido. Ele me puxou para um lado e sussurrou em minha orelha, "Você sabe, nós somos apenas 7, certo?" E eu tive aquela sensação quando o seu estômago desaparece.

Ele tinha voltado para o trailer quando nós estávamos tentando decidir quem ia para onde. Ele apenas havia se enfiado lá dentro de novo.

Olhamos pela janela e não havia ninguém lá fora. Então recontei novamente, e perguntei quantas pessoas haviam mais cedo. Todo mundo disse 8. Eu disse "Bom, e quantas são agora?" Eles começaram a contar, e todos notaram que agora eram apenas 7.

Então Tan pegou algumas caixas de munição para seu rifle. Ele disse para seu pai que havia algum tipo de animal na floresta, porque ele achou que ele não iria acreditar caso ele dissesse que era o Homem-Bode. Ele disse que seu primo estava chegando em algumas horas, e que de manhã todos poderiam ir para sua casa, e que ele iria nos dar uma carona pra casa.

Agora eu estava realmente me cagando, mas ao menos não me sentia tão mal, pois somos americanos e podemos dar um tiro em sei lá que porra estivesse nos incomodando caso ele voltasse. Então meu primo começou com uma enorme discussão com uma das garotas porque ela achava que eu estava tentando ser engraçado e pregar uma peça, mas ela estava ficando com muito medo e isso não tinha a menor graça. Ele continuava dizendo que eu não era esse tipo de cara, e ela "Bom, e como a gente pode saber se aquela menina não era só o Tanner com uma peruca? Ou se realmente é o Homem-Bode, como nós sabemos que esse Tanner é o Tanner de verdade, e não uma cópia que o Goatman fez depois de matar o real na floresta?"

Começamos uma discussão gigante, onde eu e Tan estávamos tipo "nós podemos realmente estar em perigo, porque na melhor das hipóteses há pessoas nos espionando no nosso trailer e se misturando conosco sem nós sabermos, e, na pior, há alguma criatura realmente ruim na floresta querendo foder com a gente."

Uma das meninas estava chorando e dizendo que queria ir para casa naquele momento, e nós estávamos tentando fazer com que ela entendesse que ninguém iria sair andando no meio do mato a noite. Naquela hora o sol estava começando a se pôr, e o céu estava ficando meio nublado.

Comemos alguma coisa e ligamos o rádio, mas não conseguimos sintonizar em nada de bom, então o desligamos assim que o primo Tan apareceu. Ele tinha uns 19 anos, eu acho. Naquela hora o sol estava quase desaparecido no horizonte, e ele tinha uma lanterna gigantesca, além de outro rifle. Ele entrou no trailer e sussurramos para o Tan se ele tinha certeza que esse era mesmo seu primo, e ele confirmou.

O cara olhou por trás dele por todo o campo, e depois entrou. Ele trocou uns olhares conosco e parecia um pouco confuso.

Ele disse "Cadê a amiguinha de vocês? Eu achei que iríamos nos encontrar aqui no trailer. Ela é meio lenta ou algo assim?" Ele também perguntou por que diabos estávamos cozinhando sangue no trailer, porque tinha cheiro de sangue e nossas panelas estavam no fogareiro. Todos nós meio que "NÃO!". Mas perguntamos a ele o que caralhos ele queria dizer com a menina que ele viu.

Ele veio pela mesma trilha que Tan usou, e disse "ah, era alguma amiga de vocês", ela estava parada no meio da trilha, olhando pra ele com cara de idiota. Ele fez um monte de perguntas, mas ela apenas olhou pra ele. Então ela sorriu e ele continuou andando. Ela não parecia conseguir acompanhá-lo, e sempre estava um pouco atrás dele. Ele perguntou se ela estava machucada ou algo do tipo, e se precisava de alguma ajuda. Mas ela continuou a encará-lo. Eventualmente, ele fez uma curva na trilha. Quando olhou para ver se ela estava acompanhando, a trilha estava vazia. Ele então presumiu que ela pegou algum tipo de atalho para o trailer.

Contamos para ele toda a história do que estava acontecendo. Eu esperava que ele dissesse que estávamos zoando com a cara dele, mas ele apenas ouviu em silêncio e sentou em um dos sofás.

O primo do Tanner voltou a falar sobre a garota. Ele disse que ela parecia estar sempre tentando andar atrás dele. Ele achou isso meio estranho, então tentava o tempo todo fazer com que ela ficasse na frente dele, mas não importava o quão devagar ele andasse, ela sempre dava um jeito de ficar atrás. Então ele sentiu esse cheiro nojento, que ficou mais forte conforme ele se aproximava do acampamento. Eventualmente se tornou muito mais forte. Ela disse algo tão baixo que ele não conseguiu ouvir, e quando ele se virou, ela estava exatamente do seu lado, e ele se afastou.

Nesse ponto ele perguntou se ela estava bem e que se ela não estivesse ele poderia carregá-la o resto do caminho, mas ela apenas continuou encarando. Ele disse que chegou perto dela, para carregá-la pelos ombros, mas ele devia ter "calculado mal a distância" porque ela não estava onde ele colocou a mão, como se ela tivesse se movido sem que ele notasse.

Agora nós sabíamos que essa merda era real, a não ser que Tan estivesse fazendo alguma brincadeira, o que dava para dizer que não estava pois ele estava quase se mijando nas calças.

Então eles carregaram seus rifles, comemos um pouco mais e ficamos sentados até lá pelas 11. Até hoje, toda vez que eu penso nisso, eu realmente peço a Deus para que tenha sido somente uma peça gigantesca que meus primos pregaram em mim e nunca me contaram para que eu me cagasse durante o resto da minha vida.

Lá pelas 11, o cheiro de cobre se tornou um cheiro verdadeiramente nojento, tipo de sangue cozido e cabelo chamuscado. Tan e seu primo, Reese, se levantaram instantaneamente e pegaram seus rifles.

Havia uma espécie de mistura de barulho de batida humana com um casco batendo na nossa porta, e eu juro pra você, havia aquela voz. Se parecia com quando você vê no youtube aqueles gatos ou cachorros que sabem "falar". Ela dizia em um tom alterado e bizarro.

"Me deixa entrar, parem com essa porra de brincadeira!"

Isso fez a merda do meu saco congelar, e uma das meninas começou a chorar e clamar por Jesus.

Era tão óbvio que não era uma pessoa falando. Não tinha a merda da cadência certa, e isso é um troço que até aquele momento eu nunca tinha percebido, mas todas as pessoas tem uma certa cadência na fala, independente da língua que falam. Todas as pessoas tem um certo ritmo para falar.

Essa merda não tinha cadência ou ritmo nenhum. Um desses gatos do Youtube, era com isso que se parecia a merda que estava na porta. Agora eu estava completamente aterrorizado. Continuávamos berrando "Quem é? Para de brincar, caralho!", e a coisa só ficava repetindo "Entrar" ou "Me deixa entrar!" por quase 15 minutos.



Era exatamente com isso que se parecia, só que não era engraçado. Eu sei que é estranho, mas vocês não conseguem imaginar como era essa merda de som, então você não consegue imaginar o quão fodida era toda essa situação.

Então o cheiro parou por um tempo. Durante uma hora, dava pra ouvir alguém basicamente andando pela mata e essas merdas. De tempos em tempos, ele voltava para a porta e dizia algo.

Quando o cheiro finalmente passou, era cerca de 2h da manhã. Reese disse "Cara, foda-se!", abriu a porta e saiu com seu rifle.

Ele atirou no ar, e disse algo com "Em nome de Jesus Cristo, vai embora!", atirou mais umas 2 vezes, e vindo do mato após o rio perto do trailer, havia o som de algo trotando e piando.

Então começou a gritar e se parecia quase como uma mulher e um gato dentro de uma sacola berrando juntos. Sério, eu nunca na vida ouvi uma merda desse tipo. Então dava para ouvir um arbusto naquela direção começando a se sacudir, e Reese atirou naquela direção, e depois correu para o trailer.

Trancamos a porta, e conseguimos ouvir aquela porra gritando um grito agudo. Reese disse que algo saiu dos arbustos, caído no chão, e se arrastou em direção do trailer. Ele havia atirado na coisa.

Basicamente, durante o resto da noite ficamos ouvindo a criatura berrando constantemente por mais de 2h, e conseguíamos escutá-la se mexendo por entre o mato. Mas ele não voltou para nosso trailer até que todo mundo finalmente acabou dormindo.

Tan ficou sentado na cadeira vigiando a porta com seu rifle; ninguém mais viu ou ouviu isso, e ele só me contou dois dias depois que a coisa toda passou.

Ele disse que estava "pescando" depois que os barulhos e berros cessaram, e estava quase dormindo quando viu alguém sair do banheiro, deitar no chão e dormir. Ele imaginou que fosse um de nós.

Então ele disse que notou que algo estava errado, e enquanto fingia estar dormindo, ele contou 9 pessoas no trailer. Ele basicamente não queria tentar atirar naquela coisa lá dentro e ele acabar nos matando, ou acordar Reese e ele acabar atirando na coisa, que poderia nos matar. Ele passou a noite toda acordado fingindo dormir.

Ele disse que as vezes, a coisa levantava e tremia de forma bizarra, ou arfarva como se estivesse rindo descontroladamente. Logo após voltava a se deitar no chão.

Essa história termina de um jeito muito besta, porque do meu ponto de vista mais nada aconteceu. Nós acordamos. E eu notei que o Tan tremia um pouquinho, e evitava olhar para nós. Mas tomamos nosso café, pegamos nossas coisas e começamos a andar até a casa dele. Ele foi o último a ficar no trailer, e disse que iria trancá-lo e me traria a chave; para apenas irmos na frente que ele nos alcançaria. Coisa que eu realmente não queria fazer.

Começamos andando meio rápido, e logo estávamos correndo desesperadamente até a casa dele. Seu primo nos trouxe para casa.

Havia uma janela no banheiro. Tan voltou e olhou lá dentro. Nós fomos burros o suficiente para trancar uma janela interna do trailer. Quando ele voltou, ela estava aberta.

Eu acho que ele estava conosco o tempo todo, nos esperando dormir e se misturando entre a gente. Ele andou com a gente inclusive na porra do caminho de volta para a casa do Tan, e ele disse que ele ficou um pouco atrás do grupo e olhou com para ele com olhar de peixe morto antes de entrar novamente na selva.

Tradução: Boa noite a todos

Fonte: ShowDoMedo
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